sábado, 17 de setembro de 2005


Tempestade

Eu nem sabia
Desse cinema mudo nos teus olhos
Dessa chuva caindo como um dia
Desse rio sem mar
Do riso agora

Eu nem pensava
Em ter a tempestade entre os dentes
E o luar nas mãos como um se um peixe
Pudesse respirar longe do aquário

Eu nem sabia
Que os dias eram meus como um tesouro
E a paixão um risco no asfalto
Aonde os carros sofrem sem poesia

Eu nem pensava
Que o meu desejo era um trem de ferro
Que a música parecia silêncio
E a vida era uma flor desavisada
Florindo o chão rachado do sertão


Fagner - Zeca Baleiro



"Vidas Secas" de Graciliano Ramos

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