sexta-feira, 23 de setembro de 2005

Documentário "Vinícius"

Sentado no chão, cercado de gente, Baden Powell do lado acariciando as cordas do violão com vigor e aparente displicência, Vinicius de Moraes puxa, com voz ébria e copo na mão, o coro final em ''Canto de Ossanha'': ''Vai, vai, vai, vai amar/ Vai, vai, vai, vai sofrer/ Vai, vai, vai, vai chorar/ Vai, vai, vai, vai viver''.

A cena do maravilhoso documentário "Vinicius - Quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores?", de Miguel Faria Jr., é síntese do que se passa na tela nas quase duas horas de projeção - a première para convidados é nesta quinta-feira no Odeon BR.

O copo na mão, o sorriso e essas quatro palavras (amar, sofrer, chorar, viver) atravessam o longa-metragem. Apoiado nelas, mostra o filme, Vinicius ergueu - na coerência entre vida e obra - uma escola musical, poética e, por que não?, filosófica que deixou marcas diretas e indiretas em personagens dos mais diversos, de Chico Buarque a Tonia Carrero, de Zeca Pagodinho a Ferreira Gullar.

- Procurei depoimentos de pessoas da minha geração, que foi profundamente influenciada por ele - conta Faria Jr. "Para as canções, peguei uma geração posterior, com artistas de diferentes praias" - diz, referindo-se ao time que inclui nomes como Yamandú Costa, Mônica Salmaso, Zeca Pagodinho, Adriana Calcanhoto e Mart'Nália (o CD com a trilha será lançado pela Biscoito Fino).

Professor e aluno, integralista na juventude e hippie temporão aos 60, diplomata e boêmio... De volta àquela mesma sala da cena do início deste texto, Vinicius canta que "o amor só é bom se doer". O amor, o prazer e a dor, juntos no mesmo verso - outra das sínteses (im)possíveis do homem e artista, presentes em cada fotograma de "Vinicius".

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