sábado, 24 de setembro de 2005

Arquitetura da Exclusão

Este post com a notícia logo abaixo, não faz parte do objetivo desse blog.
Mas a hipocrisia é algo que me irrita.

Para quem lê sobre a notícia publicada, logo o primeiro olhar lançado de banda, inevitável - até porque passamos por momentos de descobertas de corrupçao - é político, mas...

De qualquer forma, "nos" chama a atenção qualquer atitude política que criará benefício [ou não] a um caso social, já que como sociedade somos regidos por leis que foram criadas, apenas, para não vivermos num caos absoluto e eu me pergunto - aqui nesta cidade maravilhosa - se não vivemos num caos absoluto. Mas isso é outro assunto.

A grande indignação tem nome: "apartheid social". O interessante é que antes da rampa, denominada de "rampa antimendigo", os mendigos não eram considerados excluídos pela sociedade. Ai, que já antevejo um pensamento atravessado torcendo o nariz:"mas o que se pretende aqui?" Respondo:"nada!"

Poderia ser mais poética - o blog é meu! - e divagar sobre o "nada", mas divagando fugiria da questão, então continuo...

Não sei se tive um insigth ou se cheguei à uma brilhante conclusão - aconteceu muito rápido! Mas concluo que: viver na rua, sem amparo social e psicológico, não é exclusão. Ser mendigo, ou estar mendingo [ passando nesse momento, à uma fase otimista, de crer que: há quem tenha sido e já não seja ou, que há quem não tenha gostado de não ser e nas horas vagas - como hobby - se traveste de mendingo, apenas para ter o "gostinho"], é fazer "parte" da sociedade.

Fiquei pensando se eram considerados como "parte da paisagem", daí o incômodo aos maus tratos só vir à luz após a rampa anti-eles, anti-mendigos/paisagem. A classificação é minha!
Mas terei classificado direito, ou alguma outra fatia da sociedade poderá se virar contra mim? Antecipadamente peço desculpas - afinal, como blog - não há grana e se quiserem indenização, com lágrimas ofereço meu patrimônio:este "nuvens" aqui.


Mas brincadeiras à parte, não interessa aqui ser contra algum partido ou político ou a própria sociedade da qual faço parte, mesmo sem ser paulista ou morar em Sampa. Mas fica difícil não reparar que uma rampa mobilizou cabeças pensantes como urbanistas, advogados, integrantes da Igreja Católica e sociólogos. Poderia gastar "letras" comentando sobre o que a Igreja Católica faz pelos mendigos na sua porta...ups...não os tenho visto....?! ?! ?!

Mas o "bacana" é que os direitos dos mendigos passaram a existir. Até que enfim a "sociedade" acordou . Mas quando será que o direito de "pessoas" vai começar a existir? Melhor:"quando será que o direito de "ser humano", incluído na sociedade, vai se tornar prioridade?"

Vivo me enganando, sou muito sonhadora, mas acho que depois da "rampa" pessoas da nossa sociedade aparecerão lutando por esses direitos.

Mas chega do cansativo blá-blá-blá e segue a notícia - parte dela - da Folha de S.Paulo com seu link, para não maçar mais meus 2 leitores. "Cris C."

Obstáculo em passagem subterrânea pode levar a "apartheid social", afirmam especialistas

A decisão do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), de colocar rampas antimendigo na passagem subterrânea que liga a avenida Paulista à Doutor Arnaldo foi criticada por urbanistas, advogados, integrantes da Igreja Católica e sociólogos. A medida, segundo alguns deles, pode levar a um "apartheid social" na cidade.
Os obstáculos estão sendo colocados em um local onde vive um grupo de cerca de 30 moradores de rua, entre os quais crianças e um bebê de dez meses.
Serra, com a justificativa de reduzir os assaltos na área, iniciou a construção dessas rampas, com piso chapiscado (áspero), que dificultam a tentativa de dormir no local. A obra já começou em um dos lados da passagem. Os sem-teto estão concentrados no outro.
Rubens Adorno, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, disse que a criação das rampas é uma ação "tapa-buraco".

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