quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

Metropolitan deve devolver peças saqueadas à Itália

Cálice de Eufrônio, século 6 a.C.

A Itália está próxima de um acordo com o Metropolitan Museum of Art, de Nova York, que encerraria uma longa saga envolvendo o roubo de antiguidades.

O ministro italiano da Cultura, Rocco Buttiglione, disse na sexta-feira passada que as negociações com o diretor do museu haviam dado "um passo adiante" para a devolução de uma antiga jarra e prataria que os italianos dizem ter sido saqueadas. "Um acordo com o Metropolitan é razoavelmente provável", disse Buttiglione em entrevista coletiva. "A direção do museu deve nos dar uma resposta até janeiro."

As negociações são observadas atentamente pelo mercado internacional de arte, já que há acusações de que oito museus, inclusive o de Belas-Artes de Boston e o Getty de Los Angeles, possuem antiguidades roubadas.

Buttiglione revelou ainda que as três últimas obras saqueadas que regressaram dos Estados Unidos: uma cabeça gigante do imperador romano Trajano, datada do século 15, e duas pinturas de Andrea Appiani, do século 18. As peças foram apreendidas por agentes alfandegários norte-americanos na casa de leilões Christie's, em Nova York.

Até agora, o Getty é o mais pressionado pela Itália. Sua ex-curadora Marion True está sendo julgada em Roma por conspiração de cumplicidade na venda de antiguidades roubadas.

Buttiglione disse esperar que o Metropolitan devolva à Itália duas das peças mais valiosas de sua coleção: a prataria do sítio Morgantina (Sicília), do século 3. a.C., e o cálice de Eufrônio, pintado com figuras mitológicas, do século 6. a.C..

Philippe de Montebello, diretor do Metropolitan, disse estar disposto a devolver as obras, caso se conclua que foram realmente saqueadas. Ele havia solicitado provas da proveniência italiana das peças e disse que a diretoria também deve aprovar a decisão.

Para muitas das outras obras disputadas com o Metropolitan, a Itália sugere um empréstimo superior a uma década. "Reconhecemos que os Estados Unidos são pobres em termos de antiguidades", disse Buttiglione.

Saqueadores de tumbas roubaram antiguidades da Itália durante séculos, mas Buttiglione empreendeu uma agressiva campanha pela devolução de peças levadas após 1939. A Itália aprovou naquele ano uma lei declarando que artefatos antigos extraídos de escavações pertencem ao Estado.

As antiguidades descobertas após 1939 só podem deixar o país por empréstimo. A Itália havia recuperado 27 mil artefatos roubados em 2005, um aumento de 50 por cento sobre o ano anterior, o que incluiu três obras do Museu Getty, segundo Buttiglione.

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