quinta-feira, 15 de dezembro de 2005

A Dona da História

A minha neta vai casar. É, agora! Tanto ela como a mãe gostam destas datas festivas. Essa minha neta sempre veio aqui pelas minhas histórias. Quando era pequena, sentava à minha beira pra escutar. Sempre fui simpática, mas era cansativo e arrumava um jeito de enfeitar a mesma história para não me cansar, ela não cansava.
Agora resolveu casar, e desta vez apareceu me dizendo assim, sem mais nem menos: "ó vó, não vai dar mais. Vou ficar sem tempo, vou ter um marido para cuidar e...". Não compreendo esta geração, na minha época queimávamos sutiãs, hoje em dia, elas fazem "chá de lingerie".

Me pediu um conjuntinho... nem imaginas, aquilo tinha peças que não acabavam mais, gastei um dinheirão...Mas estava falando sobre o quê mesmo?! Ah! 'Tá! Pois é!

E ela continua com o assunto me pedindo para contar uma história que gosta muito. Quantos?! 23.
Esfriou, e ultimamente tem sido sempre assim...quando esfria, pegou uma mania, me pede para contar a mesma, pois...

Então,...havia uma moça lindíssima que vivia num quarto de um homem. Não! Vivia de ficar lá sempre. Ela telefonava, ele também, sim, também jantavam. Podes escutar até ao fim ou não? Ah, bem! Então...havia... sim, já disse...pois, e a cama era muito quentinha, muito macia, muito gostosa, no inverno e no verão. Acima da cabeceira da cama havia um quadro de um corpo de mulher.

Sim, delicado, com tons suaves, e ela contava às amigas que o tal quadro era ela, só pra ele...morriam de inveja.

Não era como a música do Francis, aquela que diz que o teu sapato ainda pisa no meu. O dela nunca pisou. A roupa podia andar perto da dele lá esquecida, mas os sapatos não! E a tal moça parecia uma lagartixa sempre esticada prá lá e prá cá da casa.
Não estou enrolando nada, estou tentando me lembrar de como contei a história à ela esta última vez, fica parecendo coisa de velha lembrar somente depois, da coisa toda dita...Claro, por isso mesmo! Ainda acrescentei mais detalhes e já que seria a última vez, usei mais alguns factos verídicos.

Que nada...nem assim ela perguntou quem era a dona da história.


Cristina Caetano

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