terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Mostra de Tarsila do Amaral é destaque na França

Artes plásticas e música encerram o ano do Brasil na França

"Antropofagia" - Tarsila do Amaral
As exposições "Morrinho" e "Tarsila do Amaral" e o musical "Brasil Brasileiro" encerrarão neste mês, em Paris, o Ano do Brasil na França, país que durante dez meses vibrou com os ritmos, as cores e a riqueza da cultura brasileira.

As festas natalinas terão sabor brasileiro no Teatro Châtelet de Paris, onde de 21 a 25 de dezembro brilharão bailarinos e músicos do espetáculo "Brasil Brasileiro", dirigido pelo argentino Claudio Segovia e concebido como um afresco no qual aparecem "todos os componentes da nação brasileira" para dar uma "imagem autêntica e resplandecente" do Brasil.

Trata-se de uma viagem pela história da música brasileira com a atuação de 47 artistas, entre cantores, bailarinos e músicos e uma exaltação da relação de todo um povo com a música que se tornou, com o passar do tempo, um dos símbolos de sua identidade.

Desta vez, Claudio Segovia busca inspiração no patrimônio musical brasileiro, como fez em outros espetáculos musicais anteriores, como "Tango argentino", "Flamenco puro" e "Black and blue".

Ao longo do mês, duas exposições excepcionais fecharão com chave de ouro o Ano do Brasil: "Morrinho", projeto audacioso de reprodução de uma favela em miniatura construída pelos moradores do morro do Pereirão, na zona sul do Rio de Janeiro, e a mostra "Tarsila do Amaral 1923-1929", a primeira de caráter pessoal dedicada na França à artista brasileira desde 1926.

Em 1988, Nelcirlan, então com 14 anos, se muda com a família para a favela do Pereirão, no bairro de Laranjeiras. Impressionado com a extensão caótica do morro, vista do alto da favela, o jovem passa a construir, junto com colegas, uma favela em miniatura que reflete todos os detalhes de sua vida cotidiana.

Batizada de "Morrinho", esta instalação tem hoje uma superfície de 250 metros quadrados, e estará em exposição a partir do dia 8 no espaço Point Ephémère de Paris, que a apresenta com o objetivo de exibir uma obra criativa e seus autores, jovens da favela transformados em testemunhas e criadores de seu próprio universo.

Reconhecida como uma das mais importantes artistas brasileiras do século XX, Tarsila do Amaral (1886-1973) foi aluna de Fernand Léger, em Paris, e ao lado do marido, o escritor Oswald de Andrade, autor do Manifesto Antropofágico, foi uma das precursoras do Modernismo no Brasil.

Nos anos 1920, Tarsila passou longas temporadas em Paris, entrecortadas por viagens de volta ao Brasil. De seus professores franceses, aprendeu a construir suas obras com contrastes de formas e cores, mas com estilo próprio, impregnado com a cultura brasileira e caracterizado pela audácia da cor, a vegetação e a valorização do corpo.

A exposição dedicada a ela, que será aberta à visitação na Maison de l'Amerique Latine de Paris a partir de 15 de dezembro, inclui 40 obras, entre pinturas, desenhos e documentos, aos quais se somam algumas obras de artistas franceses que influenciaram sua formação: Albert Gleizes, André Lhôte, Georges Valmier e Fernand Léger.

Iniciado em março passado, o Ano do Brasil na França superou todas as expectativas de sucesso de seus organizadores, inundando o país de um sem-número de manifestações de arte, dança, música, cinema, patrimônio e história brasileiros.
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