terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Brigar faz mal à pele

Briga de casais "atrasa cura de ferimentos na pele"

O estresse causado por uma discussão conjugal de meia hora é suficiente para atrasar a cicatrização de um ferimento, mostra um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos.

Para verificar a velocidade com que suas feridas cicatrizavam, os pesquisadores convidaram a participar de uma experiência 42 casais que viviam juntos por uma média de, pelo menos, 12 anos.

Nos casais que brigavam mais, pequenas feridas provocadas pelos cientistas cicatrizaram a uma taxa de 60% da velocidade da registrada nos casais com baixa hostilidade.

Segundo os cientistas, cujo estudo foi publicado pela revista americana Archives of General Psychiatry, os resultados do experimento indicam que os hospitais deveriam tentar minimizar o estresse em pacientes prestes a serem operados.

Isso poderia levar a encurtar o período de internação e economizar dinheiro, de acordo com os responsáveis pelo estudo.

Cada casal que aceitou participar do experimento foi admitido no Centro de Pesquisa Clínica Geral da Universidade de Ohio para duas visitas de 24 horas cada, separadas por um intervalo de dois meses.

Durante cada visita, um dispositivo provocou oito pequenas bolhas uniformes nos braços do marido e da esposa.

A pele foi removida de cada bolha e um outro dispositivo foi implantado diretamente em cada pequeno ferimento. Formou-se uma outra bolha protetora, da qual os pesquisadores puderam extrair fluídos para análise.

Durante a primeira visita, os cientistas pediram a cada casal que conversasse por vários minutos sobre alguma característica ou comportamento que ele ou ela gostariam de mudar neles próprios. Essa foi uma discussão positiva.

Mas, na segunda visita, pediu-se que eles conversassem sobre uma área de desentendimento no casal que normalmente provoca fortes reações negativas.

Análises mostraram que os ferimentos levaram um dia a mais para cicatrizar depois das discussões que eles tiveram na segunda visita.

O professor Jan Kiecolt-Glaser, membro da equipe que realizou a pesquisa, disse que “foi apenas uma discussão conjugal de meia hora. O fato de que mesmo isso pode atrasar em um dia inteiro a cura de ferimentos leves diz que esse processo é de fato sensível”.

Para o professor Steve Bloom, especialista em estresse no Imperial College, de Londres, “esses achados são interessantes e ilustram mais uma vez o controle que a mente tem sobre o corpo”.

Contudo, Bloom disse que a pele é particularmente sensível ao estado emocional. Por exemplo, diz o professor, o aumento do fluxo sanguíneo torna a pessoa avermelhada quando está envergonhada.

Por isso, segundo o professor do Imperial College, seria “especulativo” a partir de uma pesquisa focada na pele tirar conclusões, sobre a cicatrização de grandes ferimentos nos órgãos internos.

n.r.: conclúi-se ser possível salvar a pele do seu "mais-que-tudo" brigando apenas com suas amigas/os!

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