sexta-feira, 30 de dezembro de 2005

Imagem de homens abraçados em tumba egípcia

Gays ou irmãos: um mistério envolto em um abraço eterno


Quando egiptólogos entraram na tumba pela primeira vez, há mais de quatro décadas, eles esperavam ser surpreendidos. Exploradores de tumbas recém-descobertas sempre esperam isso, e daquela vez eles não ficaram decepcionados - eles ficaram confusos. Era 1964, nos arredores do Cairo, perto da famosa Pirâmide Step, na necrópole de Saqqara e a uma curta distância de carro da Esfinge e das pirâmides de Gizé. A tumba recém-descoberta não continha nenhuma múmia real ou jóias deslumbrantes. Mas os exploradores ficaram imóveis quando a luz de suas lanternas de querosene iluminaram a arte na parede na câmara mais sagrada.

Lá, gravada na pedra, estavam as imagens de dois homens abraçados. Seus nomes estavam inscritos acima: Niankhkhnum e Khnumhotep. Apesar de não serem da nobreza, eles eram altamente estimados no palácio como manicures chefes do rei, por volta de 2380 a 2320 a.C., em um período conhecido como quinta dinastia do Antigo Reinado. Cuidar da aparência do rei era uma ocupação honrada.

Os arqueólogos ficaram espantados. Era extremamente raro no antigo Egito uma tumba da elite ser compartilhada por dois homens de posição igual. A prática habitual era tais templos mortuários serem o local de descanso de um homem proeminente, sua esposa e filhos.

E era quase incomum um casal de mesmo sexo ser retratado em um abraço. Em outras cenas, eles também eram mostrados de mãos dadas e tocando os narizes, a forma preferida de beijo no antigo Egito.

Ao longo dos anos, a arte da parede da tumba tem inspirado uma especulação considerável. Uma interpretação é a de que os dois homens eram irmãos, provavelmente gêmeos idênticos, e que esta podia ser a descrição mais antiga conhecida de gêmeos. Outra é de que os homens mantinham um relacionamento homossexual, uma visão mais recente que tem ganhado apoio entre os defensores gays.

Agora, um egiptólogo da Universidade de Nova York entrou no debate com uma terceira interpretação. Ele reuniu evidências circunstanciais de que os dois homens podiam ser gêmeos unidos, popularmente conhecidos como gêmeos siameses. O especialista, David O'Connor, um professor de arte antiga egípcia do Instituto de Belas Artes da Universidade de Nova York, disse: "Minha sugestão é de que Niankhkhnum e Khnumhotep eram de fato gêmeos, mas de um tipo muito especial. Eles eram gêmeos siameses e era tal peculiaridade física que provocou tantas descrições deles de mãos dadas ou abraçados em sua tumba.

O'Connor elaborou sua hipótese em uma recente palestra e em uma entrevista em Nova York. Ele descreverá mais profundamente e defenderá sua idéia em uma conferência, "Sexo e Gênero no Antigo Egito", nesta semana na Universidade de Gales, em Swansea.

A oposição à sua hipótese promete ser vigorosa. A maioria dos egiptólogos aceita a interpretação de gêmeos normais defendida mais proeminentemente por John Baines, um arqueólogo da Universidade de Oxford, na Inglaterra. "Baines apresenta um argumento muito persuasivo", reconheceu O'Connor.

E ele notou que a hipótese do casal gay se tornou uma idéia popular na última década. Um importante defensor é Greg Reeder, um estudioso independente de San Francisco e um editor colaborador da "KMT", uma revista de arte e história egípcia. A maioria das referências à tumba no Google, disseram os arqueólogos, envolve a idéia homossexual.

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