quinta-feira, 7 de maio de 2009



De muitas formas se diz a minha luz
De muitos modos me visita o meu anjo
Vem devagarinho
por dentro me rasga com navalhas de cristal;
veste-me de âncoras na turbulência dos abismos;
molda-me com esperas na voraz negritude da cidade
Às vezes, na deriva repetida das pedras, na solidão dos bosques,
enfeita de estrelas os espelhos onde me deito

De muitas formas se diz a minha luz
vem comigo ao sussurrar das ondas, e aí, no janelo da tarde,
lê-me Nuno Júdice para que a minha tristeza não alastre;
desliza também nos palácios dos subúrbios,
nos espaços nevados de safiras e brilhantes,
onde a melancolia, redil de gestos impossíveis,
inventa reinos que só eu habito

De muitas formas se diz a minha luz
por fim, numa pausa de murmúrios, numa paleta de cheiros bem fortes
deixa o meu corpo feliz na alegria revolta da Terra


Victor Oliveira Mateus
foto: Elena Platonova

0 comentários:

Ocorreu um erro neste gadget
Blog Widget by LinkWithin
 
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.