quinta-feira, 21 de maio de 2009

Cinzentos


Não admitimos a resposta certa do auto-questionamento porque é preferível viver o sonho e fugir à realidade, inevitável sentir-se depois como o palhaço ingênuo no picadeiro que só faz rir a quem está disposto ao fato. Cansa-se das bandeiras levantadas e dos sonhos, estes destruídos porque o tempo passou e não realizou. Cansa-se das perguntas não respondidas, do riso solitário. Cansa-se de fingir não existir, existindo. Tem-se saudade daquilo que não foi e poderia ter sido porque é sonho e sonho resiste a tudo, mantêm-se vivo sozinho, só precisando de um pra existir, mas tem prazo de validade. Mas sonhar sozinho não tem graça, não tem gosto, não tem sentido ou sentidos, é vazio. Mesmo mudando as cores da vida, a vida não muda, repete-se como o velho disco quebrado que não existe mais e se percebe que tudo tem fim mesmo que não se admita que um dia tudo acaba. Tenta-se colocar as idéias em ordem, mas elas cismam em fugir do papel, nem o computador as salva, dizendo que o arquivo não é permitido, tudo é contra. Sente-se dor, formigamentos... mudar custa, aceitar, tonteia. Impossível viver somente de idéias mirabolantes e sonhos, coisas não paupáveis, quando é necessário o toque pra ser vida. Ninguém que só solta gargalhadas pra dentro consegue ser feliz, nem o palhaço ri de suas próprias piadas, velhas conhecidas. Vou comprar um marcador e tentar pintar na cara o sorriso que não existe mais.





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