sexta-feira, 18 de novembro de 2005

Tropicália

Mostra de arte brasileira experimental passa por EUA e Europa até 2007


Espectador experimenta óculos de Lygia Clark,
obra que faz parte da exposição Tropicália

Não é comum que os visitantes de uma galeria de arte sejam convidados a tocar nas obras, mas a Tropicália não é uma exibição comum. Com o objetivo de capturar a essência de um dos movimentos culturais mais significativos da América do Sul nos últimos 50 anos, a mostra de arte brasileira no Museu de Arte Contemporânea de Chicago convida os visitantes a tocarem, provarem e escutarem as obras de arte.

Foram instalados andaimes nas principais galerias, conectando e encerrando as obras com a finalidade de criar uma perspectiva geral da mostra. Os visitantes podem apreciar o canto de papagaios, música, filmes históricos e até pornografia.

O objetivo é evocar o dinamismo de um movimento que surgiu como resposta à repressão política no Brasil no fim da década de 1960.

Tropicália é o título de um dos mais célebres álbuns da história da música brasileira, o qual simboliza o Tropicalismo, nome do movimento que reuniu músicos, desenhistas, diretores de cinema, escritores e arquitetos em prol da criação de uma identidade única para uma cultura que pretendia se desvincular das raízes européias.

"Os artistas criavam obras pelas quais podiam se conectar diretamente com o público em meio a um ambiente político muito repressivo", afirmou o curador Dominic Molon. "Estavam tornando a arte mais acessível e mais experimental", acrescentou.

Uma das peças mais populares da exibição é uma coleção numa grande quantidade de recipientes brancos cheios de água azul, vermelha, amarela e verde. O sabor de cada cor muda diariamente, um voluntário oferece aos visitantes conta-gotas para que provem a água.

Outra exibição contemporânea interativa é a do artista brasileiro Rivane Neuenschwander, que apresenta uma parede pintada com quadrados coloridos em que uma história convida os visitantes a completarem os 'balões' de diálogo dos personagens. Ainda que no princípio muitos tenham optado por frases simples, as sugestões evoluíram para perguntas filosóficas e posições políticas.

Mas o coração da mostra é o trabalho que iniciou o movimento: Tropicália, de Helio Oiticica, exibida pela primeira vez em 1967 na exposição "Nova Objetividade Brasileira", no Rio de Janeiro.

Dois papagaios engaiolados recebem os visitantes na porta de Tropicália. As pessoas então entram num labirinto de estreitas estruturas para descobrir no fim a banalidade de uma televisão que emite uma imagem distorcida.

Trata-se da primeira exibição do movimento Tropicalismo, que poderá ser apreciada até 8 de janeiro no Museu de Arte Contemporânea de Chicago.

De 15 de fevereiro a 21 de maio, a mostra estará na Galeria de Arte Barbican, em Londres; depois irá para o Centro Cultural de Belém, em Lisboa, de julho a setembro de 2006; e em seguida para o Museu de Artes do Bronx, em Nova York, desde 14 de outubro até 28 de janeiro de 2007.

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