terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Arte Arte Arte Arte Arte - II

Exposição no Instituto Tomie Ohtake constata a destreza de Miró

"!Mirabolante Miró" mostra a fase final do mestre modernista. As 14 séries de gravados exibidas concentram-se no período entre 1974 e 1981. Álbuns e cartazes completam a exposição do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

O conjunto reunido nesta exposição enfoca a destreza do artista octogenário. A familiaridade com o método que o consagrou desde a década de 20 lhe permite manter a qualidade de traço e distribuição cromática.

Um documentário sobre Miró (1893-1983) é projetado num painel central, na primeira de duas salas de exposição do Tomie Ohtake. No filme, sucedem-se seqüências dele já velho, pintando com os dedos e aspergindo tinta com pincel, depois aparecem rolos de impressão rodando. Não há texto. Um áudio de flamenco toma o ambiente e dá ritmo nervoso para a edição. De fato, as séries de gravura dispostas pelas paredes sugerem produção acelerada.

Alguns conjuntos foram feitos num único dia, como "Gente do Mar", de 19 de junho de 1981. Como ele necessitava de poucos elementos para compor uma obra, era ágil no ateliê.

Porém, tal facilidade técnica resulta dos anos iniciais de penúria do imigrante catalão em Paris. "Fiz muitos desenhos onde exprimia minhas alucinações provocadas pela fome. Eu voltava de noite, sem haver comido, e anotava minhas sensações no papel", recordava-se Miró.

Seu estilo característico surgiu do contato com o surrealismo, que o fez valorizar os precários registros gráficos alucinatórios como obra de arte finalizada. Ele assinou o primeiro Manifesto de Breton, que disse em 1928: "Miró é provavelmente o mais surrealista de todos nós".

Quando os ideais revolucionários do movimento do irracional se esvaziaram politicamente, o artista espanhol manteve seu primitivismo. Em 1941, fez a primeira retrospectiva no MoMA de Nova York e, em 1974, foi aberta ao público a Fundação Joan Miró de Barcelona.

"O Fluxo do Imã" (1964) e "Journal d'un Graveur" revelam a base gráfica do método. As gravuras de ambas as séries compõem-se de riscos, algumas com um pouco de cor.

Miró reduzia as figuras a puro traço pela subtração progressiva de elementos, e a estrutura abstrata resultante dava origem ao jogo cromático. Entre os anos 70 e 80, seguem-se soluções parecidas, como podemos ver nas demais obras.

A exposição bem montada circunscreve objeto restrito.

fonte: Folha.

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