segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Dom especial

Raphael Rabello é tema de documentário exibido no Canal Brasil

Os irmãos tocavam violão, o garoto só observava. Até que um dia ele simplesmente apareceu, tocando ''Brejeiro'', de Ernesto Nazareth. Alguns (poucos) anos depois, o garoto já era apontado como um dos maiores violonistas da história da música brasileira. Era Raphael Rabello.

Quem conta a história é uma das irmãs, a cavaquinista Luciana Rabello, no documentário sobre o músico exibido neste sábado, no Canal Brasil, dentro do programa "Luz, câmera, canção". O filme de 26 minutos, dirigido por Monica Ramalho e Lara Velho, é feito de pequenos fragmentos como esses, que mostram um retrato emocionado de um artista ímpar.

Curiosamente, passada uma década da morte precoce de Rabello, aos 32 anos, sua obra não tinha recebido um abordagem visual cuidadosa.

Além da abordagem história, o filme pincela ainda informações esclarecedoras sobre sua arte, como quando ele diz "Radamés que botou essas minhocas na minha cabeça". Ou "eu tenho que usar uma retórica imensa para falar da minha música, porque se eu disser que o que eu faço é choro, ninguém publica nada".

As imagens de Raphael, tocando ou em entrevistas (imagens do programa ''Ensaio''), são um deleite - das cenas de shows como os históricos encontros com Elizeth Cardoso e Armandinho até as curiosidades, como a participação dele em ''Mandarim'', de Julio Bressane, no qual o músico faz o papel de Villa-Lobos.

Mas o filme não se esgota aí. De forma leve, ele delineia a história da carreira de Raphael, desde a estréia com o grupo Os Carioquinhas. A narrativa flui com emoção na voz dos entrevistados Luciana Rabello, Amélia Rabello (também irmã do músico) e Paulo César Pinheiro. Não podia ser diferente.


O que ele estaria tocando agora, não se sabe. Mas certamente, ele estaria tocando bem - afinal, segundo a história que Luciana conta, ele nunca foi visto tocando mal. Ela explica, desmitificando, que ele deve ter estudado escondido antes de mostrar aos outros que estava aprendendo. Mas é quase irresistível pensar que ele, como Bach, nasceu sabendo.

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