segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Saramago:"Nossa única defesa contra a morte é o amor"

O escritor português José Saramago deixa aflorar seu lado mais divertido e sarcástico e também o mais suave e poético em seu romance "As intermitências da morte", uma reflexão sobre a vida, a morte e a condição humana, que defende a tese: "nossa única defesa contra a morte é o amor".

Em entrevista à EFE, o escritor revela alguns segredos do novo livro, com publicação marcada para novembro em países como Brasil, Portugal, Espanha e Itália e cuja apresentação mundial será em Lisboa, no dia 11 desse mesmo mês.

Livro a livro, Saramago (vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1998), foi tecendo um mundo narrativo, no qual afloravam situações "improváveis e impossíveis".

Na primeira parte da história, Saramago desenvolve com humor, ironia e sarcasmo as conseqüências que o desaparecimento da morte teria sobre a vida de um país.

O que a princípio parece uma magnífica notícia, em breve se revela diferente: o Governo não sabe como responder a esta insólita situação, o sistema de aposentadorias se desequilibra, os hospitais e os asilos ficam super lotados e as funerárias não têm quem enterrar.

A igreja também fica consternada, pois, "sem morte não há ressurreição, e, sem ressurreição, não há igreja".

Quando perguntado sobre o que acha de seu novo livro, Saramago responde com um singelo "não é ruim", já que não pretende "antecipar o julgamento dos leitores e da crítica". Mas reconhece que está "muito contente" com o livro, pois "não se tem escrito romances sobre um tema como este nos últimos tempos".

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