segunda-feira, 19 de abril de 2010

A atrapalhada







Prontinha pra sair logo de manhã - óculos e bolsa em cima da mesa enquanto via se não tinha me esquecido de nada - e mamãe me chama aflita porque havia percebido que a mangueira da máquina de lavar roupa estava pingando. Fui dar uma olhadinha e percebo que o registro também tinha ido pro beleléu porque não fechava água nenhuma.

Uns segundinhos depois percebi que se posicionasse a mangueira mais pra cima acabaria com os pingos, e lá fui eu, linda e loira, apanhar uma cordinha pra colocar a mangueira na posição certa até chamar alguém para trocá-la.

Só que além de atrapalhada (eu sei que sou), eu desconhecia a força que tinha, ou me esqueci dela, pois no último exame de força para a carta de condução alcancei o nível máximo e foi por causa dela que aconteceu o desastre. Puxei tanto a tal corda que amarrei à mangueira, que tanto a dita como o registro saltaram fora, e daí pra frente foi a desgraça. Tomamos um banho (eu, mais um): eu, a máquina e o chão da área de serviço. Foi a hora do stress.

Enquanto mamãe dava um jeitinho de recolocar o registro que tinha fugido corri para fechar os registros d'água da casa e foi aí que percebi que nenhum fechava a água que corria pelo buraco da saída de água da máquina. Não preciso dizer que xinguei até a quinta geração de quem fez a reforma no apartamento enquanto mamãe pedia pra eu xingar baixo para os vizinhos não ouvirem.

Liguei o interfone para falar com o porteiro com a intenção de pedir pra ele fechar o registro daquela zona dos apartamentos. E quem disse que nessa hora se encontra o porteiro na portaria? E quem disse que ele carrega o fone (sem fio) quando se desloca pra outra parte do prédio? Claro que não. E fui eu trocar de roupa e descer para encontrá-lo enquanto mamãe ligava para um bombeiro.

Mas quem disse que às 9 horas da manhã se encontra algum bombeiro? Claro que não. E lá vou eu pela rua abaixo até o prédio da minha tia para pedir a um santo (um porteiro) para consertar a desgraça. Porque esse serviço de trocar um registro, nenhum dos 3 porteiros do meu prédio sabem fazer.

Acabou? Nada. Chego ao prédio da minha tia e encontro Reginaldo (um dos porteiros que ri ao me ver) e diz antes que eu consiga dizer "Bom dia": Dona Cristina, o Brito já está trocando de roupa e já vai na casa da senhora.

Eu, esbaforrida, depois de ter descido a rua correndo, não sabia se ria ou se ligava pra minha mãe agradecendo por não ter me avisado que já tinha se comunicado com o batalhão de operações e resolvido o problema.

Agradeço ao Reginaldo, dou meia volta rumo à casa e quando meto a chave na portaria para abrir a porta, escuto uma voz atrás de mim que diz: Oi, Dona Cristina. Era o Brito, o salvador!

E foi assim a minha manhã de hoje.



6 comentários:

Maria disse...

Desculpa Cris, mas estou rindo desde as primeiras palavras. É que adivinhei o que tinha acontecido com a máquina... e imaginei-te a tentar reparar e a levares um duche repentido e não desejado...

Ainda tô rindo...

Beijinhos
ah ah ah ah ah

Cris Caetano disse...

hahaha Podes rir, Maria. Na hora foi sofrido, mas depois demos gargalhadas da comédia pastelão que a situação foi.

Mamãe também tem histórias... quase tocou fogo na cozinha (chamuscou o teto). Nós duas juntas fazemos um estrago. hehehe

Beijão

salvoconduto disse...

Desculpa, mas tal como a Maria comecei logo a rir-me no início do texto. Porque só nos rimos do mal dos outros? Olha também não quero saber a resposta. Talvez por todos passamos por situações parecidas ao longo da vida.

Só há uma coisa que me tira do sério, aquele que teima em ser o último a rir, porque diz que quem ri no fim ri melhor.

Aposto que já te riste com isso tudo depois do problema sanado.

Abreijos.

Cris Caetano disse...

Muito, meu amigo. :) Inclusive enquanto escrevia o texto.

Abreijos

Ana disse...

É chato, mas o mal dos outros (nem todo, claro) tende a fazer-nos rir.
E para isso contribui uma descrição assim colorida!
Diga-se, aliás, que o Português do Brasil tem expressões mais do qe pitorescas. É uma língua alegre por natureza.

Beijinho

Cris Caetano disse...

Ana, eu não posso ver alguém cair que me dá vontade de rir (lógico que se estiver perto presto ajuda) e quando caio também.

Há situações que são muito engraçadas, principalmente depois... :)

Beijão

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