quinta-feira, 15 de abril de 2010

Toma-me







Toma-me.
A tua boca de linho sobre a minha boca Austera.
Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.
Tempo do corpo este tempo. Da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.
Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu delinqüescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa
De púrpura. De prata. De delicadeza.



Hilda Hilst
foto:Jan Saudek

6 comentários:

Maria disse...

Agora fiquei sem palavras para comentar este poema. Que é belíssimo!!!

Beijão, Cris.

Cris Caetano disse...

É... a Hilda tem dessas coisas. :)

Beijão, Maria.

Anya disse...

Take me ....
hahahahahaha...... ;-)

Love this poem and puurfect photo
:)

Cris Caetano disse...

hahaha... I loved it! :) :)

puur... and kisses for my gorgeous. :)))

Kiss, Anya. :)

A.S. disse...

Cris...

Em doces lábios
no coração do lume
se demora o beijo
num corpo nu
que arde de desejo...


Beijosss
AL

Cris Caetano disse...

Obrigada pelo poema.

Beijinhos

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