segunda-feira, 17 de abril de 2006

O desânimo é do tamanho do Brasil

De uns tempos para cá passei a sentir vontade em alterar a descrição deste meu blogue. Muito de vez em quando publico notícias sobre políticos e sobre a nossa vergonhosa política nacional. Já há algum tempinho, venho extravasando a minha mágoa e indignação em blogues amigos, e assim, ia aliviando o meu espírito sem sentir a real necessidade de falar sobre esse tipo de fatos que charfundam na lama que tanto foi o tempo que já correu, provavelmente deve estar seca.

Mas será que é possível apenas escrever sobre o lado bonito da vida e sobre uma exposição ou outra que aparece aqui e ali? Para mim já não dá mais. Esse blogue vai ter de sofrer umas alterações, caso contrário, explodirei!

Acho que o ar que circula neste Brasil foi contaminado, é a única maneira de entender a não-reação do povo brasileiro. Cá entre nós..., para mim, forças ocultas lançaram um pó inodoro anestésico por todas as cidades do país e tenho uma explicação lógica para não ter sido contaminada. Sofro de vários tipos de alergia e num dos muitos espirros que se sucedem diariamente na minha vida, o tal pó não conseguiu me afetar. Existe outra explicação? Acho que não. E por essas e outras é que não consigo "me acostumar" e menos ainda com a violência no Rio de Janeiro.

Todo o mundo sabe que há muitos meses atrás, surgiu a denúncia do mensalão. Uns poucos políticos foram cassados e o que se viu foram outros tantos comprovadamente culpados, e após votação na Câmara, se manterem nos seus cargos. E a vida continuou seu curso.

Passadas outras tantas denúncias, surge um caseiro que denuncia o senhor Ministro da Fazenda. A parte acusada fica um tempo se fingindo de morta até que alguém - outra força oculta - resolve quebrar ilegalmente o sigilo bancário do caseiro. Tempo vai, enrolação vem, mais uma demora aqui e acolá e o senhor Ministro sai do governo. E a vida continuou seu curso.

Antes do caso do caseiro Francenildo, surgia uma denúncia arrepiante em cima do presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, mas como várias outras denúncias mais interessantes - creio eu - foram surgindo, colocaram esse assunto ali ao lado, na sala de espera, para quando estivessem com mais tempo voltar à análise da questão. Me parece que agora o assunto deve andar. Mas a vida continou.

O que para mim é mais degradante - não encontrei palavra melhor - é acompanhar diariamente notícias sobre casos de corrupção que brotam rápido, feito feijão de experiência escolar e espacial neste Brasil. Uma das últimas e velhas novidades li no "O Globo" deste domingo. Tinha em seu título e subtítulo o seguinte: "O homem-bomba vira escudo" e "Amigo de Lula, Okamoto tenta negociar acordo sobre abertura de sigilo bancário". Para mim, bastam os títulos da reportagem para expressar o quanto me sinto infeliz.

Conclui que o mesmo sistema, que quebra ilegalmente o sigilo bancário de um caseiro e que o transforma de acusador em acusado a partir do momento em que a PF decide investigá-lo, é o mesmo que "permite" já há muito tempo, que não haja a abertura do sigilo bancário do presidente do Sebrae e agora, surge a hipótese de que haja alguma negociação pela abertura do mesmo. E a vida, como se nada estivesse acontecendo, continuará. Sinto vergonha em ser brasileira.

Todos os domingos, concordo facilmente com o que escreve o escritor João Ubaldo Ribeiro na sua coluna do "O Globo" e transcrevo aqui um trecho do que foi por ele escrito, já que tem muito a ver com a comparação que costumo fazer em conversas triviais sobre o Brasil e o resto do mundo.

"Não posso conceber país nenhum em que, com a caneta do poder, um presidente ou premier prendesse o dinheiro de todo mundo, como fez o ex-presidente Collor e ficasse tudo por isso mesmo. Não ficava.(...) Na França, então, meu Deus do céu, seriam capazes até de retirar a a guilhotina da aposentadoria(...) Em relação à lei do primeiro emprego que o governo da França promulgou e o povo revogou, acredito que a nossa reação principal seria no Rio mesmo, com um grupo de uns 500 caras-pintadas carregando faixas e abraçando o edifício do Tribunal do Trabalho. Bem, talvez não 500, mas pelo menos 200, contando o pessoal que aparece para paquerar(...)
Toda a bandidagem que temos testemunhado e tudo o que se fez de mal ao povo, não só neste governo como nos anteriores (o atual acha que a grande solução social é dar esmolas com nomes artísticos e o dinheiro da classe média e dos próprios pobres), não nos move a nada, a não ser a resmungos e uns eventuais gritinhos."

E como diz muito bem o Ubaldo: "Nós somos é do bé-bé-bé".



fonte: a charge é do blogue Beco dos Bytes.

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