quinta-feira, 6 de maio de 2010

Universidades convocam mulheres feias para tratamento psicológico



As Universidades de Granada e Jaén (ambas no sul da Espanha) estão convocando mulheres feias para um projeto experimental científico. O objetivo é testar um tratamento psicológico que cure os transtornos provocados pela obsessão com o ideal de beleza inalcançável.

As faculdades de psicologia das duas universidades oferecem o tratamento gratuito a mulheres entre 19 e 30 anos que admitam estar insatisfeitas com seu aspecto físico e queiram participar de forma voluntária do projeto.

A coordenadora do estudo científico e catedrática em psicologia da Universidade de Granada, Maria del Carmen Santaella justifica a importância do tratamento de pessoas consideradas feias "porque a preocupação com o aspecto físico afeta de forma alarmante a uma parte importante da população".

"O ideal de beleza transmitido pela família, amigos e mídia é tão rígido na nossa sociedade que chega a alterar a percepção que uma pessoa pode ter sobre o que é uma aparência normal", afirmou.

"São padrões inalcançáveis que acabam provocando transtornos graves, o que em psicologia chamamos de descontentamento normativo", disse à BBC Brasil.

Sem critérios


Para participar do projeto não há um critério estético. Cada candidata que se ache feia e considere que o aspecto físico lhe cria problemas emocionais e de adaptação social, pode se inscrever.

Mas as universidades valorizarão históricos como obesidade (índice de massa corporal igual ou superior a 30 pontos), transtornos de alimentação e tentativas excessivas de dietas e exercícios físicos.

A equipe de investigadores selecionará as mais feias considerando também fatores psicológicos provocados pela falta de autoestima como ansiedade e depressão.

"Não se trata apenas de fazer com que as pessoas se sintam mais bonitas, mas que reduzam seus níveis de estresse", explicou Santaella.

"Uma vez que deixem de atentar contra si mesmas, lhes ajudamos a controlar a ansiedade, aumentar seus sentimentos pessoais, reconhecer sua beleza e reduzir o mal estar que lhes provoca o próprio aspecto."

O projeto será dirigido pela clínica de psicologia da Universidade de Granada que já colabora com outros grupos de investigação na Holanda e na Alemanha em tratamentos de pessoas com transtornos de obesidade, bulimia e anorexia.

. . .


E esse post só veio parar aqui porque fiquei chocada com o título. Antes de ler a notícia me fui antecipadamente perguntando qual seria o critério de avaliação da feiura e quem faria essa avaliação. Alguém que se achasse o suprassumo da perfeição? Comecei a achar tudo muito perverso e li numa rapidez incrível a notícia, e depois mais tranquila, voltei a relê-lo com mais calma.

E acho que serve de alerta para os pais e a família em geral. Muito cuidado ao que dizem aos seus pequenos, nas observações que fazem mesmo em tom de brincadeira com o aspecto físico de alguma criança, na vida adulta esse tipo de crítica não intencional pode levar a danos psicológicos gravíssimos.

Eu conheço um caso de uma menina, que hoje é uma adolescente a caminho da Universidade, que durante a sua infância ouviu repetidamente a mãe se preocupar com o peso dela (a menina nunca foi gorduchinha ou cheinha), e que tomasse cuidado para não engordar. Pois bem, aos 13 anos a menina apresentou um quadro de anorexia e levou anos para ficar curada. Mas como é uma doença psicológica ela vive até hoje em estado de alerta para não recair na doença.

Não estou culpando a mãe por isso, até porque se ela imaginasse a consequência nunca teria sido tão chata com a menina e nem dizendo que não se deve ter cuidado com a alimentação das crianças ou que não se deve reclamar da quantidade de besteiras que provavelmente venham a comer. Apenas acho que hoje em dia, a partir de tanta informação que recebemos podemos ensinar aos pequenos de uma maneira diferente que ensinavam em outros tempos.



fonte:BBC Brasil

2 comentários:

Luis Eme disse...

é uma coisa complicada, especialmente para as mulheres, porque a beleza continua a ser fundamental...

os homens nem por isso, ainda há quem goste deles porcos, feios e maus...

bjs Cris

Cris Caetano disse...

Infelizmente, mas as mulheres precisam aprender a cultivar a auto-estima. Mas é um processo lento em função dessa sociedade consumista em que vivemos.

Ai, que horror, Luis... rsrs cada vez menos, e há mulheres e Mulheres. ;)

Beijos.

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