segunda-feira, 3 de maio de 2010

Do desejo






E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.


Hilda Hilst
foto: Hiroshi Hayakawa

5 comentários:

Mauri Boffil disse...

Uau, lindo demais! Posso copiar e mandar pro Kai?

Cris Caetano disse...

Claro que pode... nem precisava perguntar.

Beijos

Maria disse...

Lindo poema!

Beijão, Cris.

Luis Eme disse...

um poema que tem tanto que se lhe diga...

bjs Cris

Cris Caetano disse...

Maria e Luis, Hilda escrevia com paixão, sempre.

Beijinhos aos dois.

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