sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Parabéns ao meu Nuvens

Nunca havia reparado que este Nuvens nasceu no dia 7 de agosto de 2005, o número 7 é constante em minha vida, mas nunca entendi porquê nem corri atrás em saber.

Hoje abri o blog achando que devia comemorar por todos os anos que não comemorei os seus aniversários, nunca tive coragem e ainda hoje me custa porque me lembro como ele surgiu. Surgiu de uma fuga. Sei lá porquê achei que era uma boa idéia criar um blog pra desviar a minha atenção de uma imensa tristeza, deu certo, na altura, me ajudou a superá-la. Mas ainda hoje me lembro e as lágrimas escorrem rosto abaixo enquanto escrevo.

Minha família é grande, e quando digo família estão incluídos, tios, tias, primos, primas e agregados, todos sempre reunidos na casa dos avós maternos (não conheci os paternos) em volta de uma mesa imensa, num apartamento grande que sempre parecia pequeno quando todos estavam presentes. E por esses e outros motivos, temos todos uma ligação forte de afeto. E um dia, no final de julho de 2005, meu tio, mais velho que minha mãe, sentiu dores no estômago, e teve que ser operado, era um cancêr avançado que não deu sinais nos check-ups anuais, acordou bem da operação e faleceu algumas horas depois. Foi um choque. Recebi a notícia às 8hs da manhã, da filha do meu primo mais velho que simplesmente disse: "Oi, Cris, prepara a tua mãe, o tio A. morreu." E eu dei um grito no telefone de susto e minha mãe olhando pra minha cara começou a tremer toda... e eu não precisei dizer mais nada...

Revivi a morte de meu avô, meu tio era parecidíssimo com ele, inclusive na personalidade, caladão, mas quando abria a boca pra brincadeira tinha tiradas inteligentes que me proporcionavam gargalhadas. Pra piorar, o neto mais novo, que era grudado nele tinha a mesma idade que eu tinha quando meu avô morreu... chorei por L. que não derramou uma lágrima e eu tinha certeza que sabia como o pequeno se sentia.

Por toda essa dor, tentei várias vezes comemorar os aniversários do blog, mas nunca consegui de verdade, e hoje me veio isso na cabeça, comemorar agora por todos os anos que não comemorei, mudar, mandar a tristeza pra outro lado, superar, fazer diferente, encarar a dor de forma diferente. Confesso alguma angústia na comemoração e não sei explicar porque a sinto, mas sinto uma imensa necessidade de superá-la.

Agora, limpando o rosto e tentando abrir algum sorriso. Aceitam uma champagne? Há pra todos os que fazem este Nuvens ser o que é.






2 comentários:

Dona Frick disse...

Por algum motivo, só hoje li este post...
Escrever de fato faz bem a alma.
É como se tivéssemos o poder de "espantar" aqueles pesadelos horríveis que queremos falar e não conseguimos, a voz não aparece.
Mas na escrita, não.
Seja por qual motivo for, se o que escreves vem da alma, não ofende a dignidade alheia, apenas se escreve como um jorro, como dizia a querida Clarice Lispector; então, o mundo compartilha dos seus sentimentos, de suas idéias e a superação nasce daí...como um passe de mágica...
Escreva, escreva, escreva...
E Parabéns! O Nuvens merece!
Um grande beijo,
D.Frick

Cris Caetano disse...

Querida...

Diversas vezes escrevo como se as palavras jorrassem de minha mente, como diria Clarice.

Me emociono por algumas coisas e hoje você fez com que me emocionasse de novo. Obrigada.

Beijão

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