segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cores

150 pichadores colorem a avenida 23 de Maio em protesto



Um grupo de 150 grafiteiros e pichadores atacou ontem, domingo, cerca de um quilômetro de muros dos dois lados da avenida 23 de Maio, entre a zona sul e o centro de São Paulo, para protestar contra o que chamam de "cinza do (prefeito Gilberto) Kassab".

A ação, dizem eles, teve o objetivo de colorir novamente os muros que antes abrigavam grafites e pichações e foram pintados pela prefeitura.

Nove jovens chegaram a ser detidos pela Polícia Militar, mas acabaram liberados. No fim da tarde, assessores de Kassab disseram que os muros seriam pintados de cinza de novo.

"Nunca vi um ataque [de grafiteiros] como esse. A gente resolveu retomar um espaço nosso", disse o grafiteiro Mundano. Ele conta que o ato foi combinado por e-mail e que não tinha uma organização definida. "Recebi um e-mail anônimo, foi no boca a boca mesmo", afirmou Crânio, outro participante.

Às 10h, o grupo, que se reuniu no Centro Cultural SP, espalhou-se ao longo de um quilômetro da avenida. "Não queríamos depredar, mas levar arte à população, que não costuma ir a galerias", afirmou Mundano.

Entre imagens coloridas, picharam frases como "Fora Kassab", "Fora Sarney", "Apaguem os problemas da cidade e não o grafite", "Fiquem pelados" e "Seja feliz, mate um político".

Por volta das 10h30, quando a parede de acesso ao viaduto Pedroso já estava tomada por grafites, um carro da PM chegou. Os policiais tentaram impedir a continuidade do ato e pediram a identidade de três rapazes, enquanto os demais continuavam a pintar.

Nove jovens, entre eles Mundano, foram levados para o 5º Distrito Policial (Aclimação), onde prestaram depoimento e foram liberados. O delegado Milton Coccaro disse que eles não foram presos porque entendeu que nenhum dos "nove artistas tinha a intenção de deteriorar o patrimônio".

"Era uma manifestação de cunho artístico. Também não era razoável prender nove e deixar 150 lá, grafitando." Segundo o delegado, alguns disseram que o grupo tinha autorização da prefeitura. Porém, não apresentaram documentos.

A Subprefeitura da Sé concedeu uma autorização para que a Ioiô Filmes grafitasse uma parede na 23 de Maio. A produtora, porém, diz que não tem relação nenhuma com os protestos de ontem. "Será que pintaram onde vamos filmar?", questiona Diego Alencar, da Ioiô.

A empresa contratou um grafiteiro que irá realizar o trabalho amanhã, segundo ele. Em seguida, tudo será apagado pelo artista. A filmagem será exibida em canal de TV por assinatura.

Além dos muros cinzentos (agora pichados), a 23 de Maio tem em alguns trechos pontuais trabalhos de grafiteiros feitos com a autorização da prefeitura --"osgemeos", por exemplo, estão lá. Esses grafites foram poupados no ataque.

Para o arquiteto Candido Malta, ninguém tem o direito de promover alterações em um espaço público, mas, nesse caso, o ato é válido como protesto. Para ele, se pichadores e grafiteiros antes pintavam nas paredes da avenida com a conivência da prefeitura, agora devem ser ouvidos para que a atividade seja disciplinada.

Alguns grafiteiros mais veteranos criticam a ação. "Há uma grande poluição com trabalhos mal feitos por aí", afirma Pato, que já expôs em Londres.

. . .


E um país jovem, como o Brasil, se mantém na rabuda quando o assunto é arte urbana. Aqui ainda é preciso protestar pelo graffiti.
Através do Facebook fui parar num link onde li que vários grafiteiros brasileiros foram convidados para colorir os prédios de Rotterdam. O projeto leva o nome de R.U.A. Festival e basta clicar aqui pra conhecer mais do projeto.


fonte: Folha Online

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