terça-feira, 25 de março de 2008

Epidemia de dengue no Rio de Janeiro

Dengue já matou quase cinco vezes mais em 2008 do que em última epidemia


A dengue já matou em 2008 quase cinco vezes mais do que na última epidemia no estado do Rio de Janeiro, segundo estatísticas divulgadas pela Secretaria Estadual de Saúde na segunda-feira (24).

Em 2002, foram 91 mortes para 288.245 casos. Neste ano, 48 pessoas já morreram, em menos de 32.615 casos, enquanto outras 49 mortes suspeitas estão sendo investigadas.

Gabinete da crise se reúne
No dia em que o Ministério da Saúde realizou a primeira reunião do gabinete de crise, a Secretaria municipal de Saúde informou que o número de casos de dengue subiu para 24.772 somente na cidade do Rio de Janeiro. São 1.200 casos a mais em relação ao último balanço, divulgado na sexta-feira (21). Segundo o órgão, 30 pessoas morreram por causa da doença só em 2008. O bairro mais atingido é Senador Câmara, na Zona Oeste, com quatro mortes.

Ainda de acordo com a Secretaria municipal de Saúde, dos 30 mortos, 20 foram por dengue hemorrágica e 18 de crianças de 2 a 12 anos. Esses números confirmam a visão de médicos e especialistas de que as crianças são as maiores vítimas da dengue.

Medidas anunciadas
Ao anunciar as medidas para aumentar a qualidade do atendimento aos pacientes com suspeita de dengue, e reduzir o número de óbitos, o ministro da Saúde José Gomes Temporão disse que é fundamental o trabalho integrado de municípios, estado e governo federal. Ele se disse angustiado com o índice de letalidade da doença na cidade, que está em torno de 5% dos pacientes infectados, quando o índice considerado normal pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 1%.

Temporão informou que além dos 1,2 mil bombeiros que já estão trabalhando no combate aos focos do mosquito, mais 300 agentes de saúde estão sendo treinados para o trabalho de campo. Eles irão operar 50 máquinas de fumacê, que serão utilizadas em áreas pontuais. O ministério também colocou à disposição do estado 15 veículos para este trabalho, com capacidade para atingir de 80 a cem quarteirões por dia.

O ministro também disse estar preocupado com a assistência de saúde básica precária no Rio, que tem deixado os pacientes sem orientação. Até o fim desta semana, ele acredita que os pacientes que procurarem as unidades públicas de saúde já estarão recebendo os cartões de acompanhamento da evolução da doença.

"Com o cartão, os médicos poderão acompanhar a evolução da doença nos pacientes, já que nem todos procuram o mesmo posto de saúde. Os cartões vão conter dados como os exames, resultados, diagnóstico e o tratamento dispensado aos pacientes", explicou o ministro.

Temporão também pretende contar com o apoio do pessoal do programa "Humaniza SUS" para avaliação de risco e de tratamento da dengue no Rio. O ministro vai propor um reforço no tele-dengue da prefeitura do Rio (2575-0007) para que ele tenha condições de funcionar durante 24 horas.

Centros de hidratação
Os centros de hidratação, uma das medidas anunciadas pelo Governo do Estado, começaram a funcionar na segunda-feira (24). Pacientes com sintomas da doença serão levados pelas unidades de saúde para tendas montadas na Zona Oeste. Segundo a Secretaria estadual de Saúde, o reforço no tratamento inicial deve diminuir a gravidade da doença e o número de mortes.

Ao inaugurar uma das três tendas de hidratação, o governador Sérgio Cabral disse que são as autoridades, e não a população, os maiores culpados pela epidemia.

A tenda que ficará no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, é a primeira das três que o estado inaugurou nesta segunda-feira. As demais vão funcionar nas Unidades de Pronto-Atendimento de Santa Cruz e Campo Grande, todas na Zona Oeste.

Nelas, há poltronas para hidratação, uma das medidas fundamentais, segundo a Secretaria estadual de Saúde, para conter a queda do número de plaquetas e evitar o agravamento dos casos.

Secretário municipal descarta epidemia
Durante a primeira reunião do gabinete de crise da dengue, o secretário municipal de Saúde do Rio, Jacob Kligerman, negou que haja uma epidemia da doença na cidade. “Temos de trabalhar de todas as formas para combater a doença, mas não há uma epidemia. Temos áreas epidêmicas como Jacarepaguá e Irajá", disse o secretário, que a partir desta terça-feira começa a distribuir cartazes nas escolas do município dando dicas de como combater a dengue.

Embora a prefeitura negue a existência de uma epidemia de dengue, a superitendente de atenção especializada da Secretaria municipal de Saúde, Carla Porto Brasil, informou que são realizados diariamente na cidade cerca de cinco mil atendimentos para suspeitas de dengue. Nos hospitais da cidade, 250 pessoas estão internadas com a forma mais grave da doença, sendo que 83 são adultos.

n.r.: antes tarde, do que nunca...


fonte:G1

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