sábado, 23 de outubro de 2010

Experiências



Quem me conhece - bem - sabe que o meu forte não é a paciência. E não tê-la sempre me incomodou muito. De todas as vezes que tentei fazer uso dela - e como não era um sentimento verdadeiro -, ao cair da última gota no pote cheio eu não suportava e explodia igual a uma panela de pressão.

E sempre me questionei do que valia ser uma pessoa calma se não conseguia ser paciente? É um bocado contraditório.

E como nada acontece por acaso, uma amiga que pratica o Budismo decidiu neste mês partilhar lições de Dharma e me tornei uma praticante (iniciante) do Dharma.

. . .


"O Dharma diz que quando fazemos da prática espiritual uma prioridade, passamos a ter um estado de espírito mais positivo e as nossas desilusões (tais como o ciúme, a raiva, a inveja, o ódio, o apego, o orgulho e a ignorância) sofrem automaticamente um decréscimo.

Pratica-se a meditação para desenvolver a Equanimidade: Ânimo inalterável, sempre igual, tanto nos bons momentos como na adversidade.



Quando meditamos devemos ter as mãos na seguinte posição:




Esta é a posição correta para meditar. Podemos também sentar-nos numa cadeira, de costas bem direitas e as mãos na posição mostrada na foto acima."







Eu me sento em posição de Buda, porque para mim é a posição mais confortável, normalmente tenho dificuldade em sentar com as pernas para baixo numa cadeira, só sento de maneira normal, digamos assim, perante visitas, em restaurantes etc (em situações formais), caso contrário tenho sempre as pernas dobradas em pose de Buda mesmo sentada numa cadeira.


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ANTES DE MEDITAR, para reforçar o poder e a eficácia da nossa meditação, podemos dizer estas orações:

Eu e todos os seres sencientes, até alcançarmos a iluminação, refugiamo-nos em Buda, Darma e Sanga. (3x)

Pelas virtudes que recolho, praticando o dar e outras perfeições, possa eu tornar-me num Buda para o benefício de todos. (3x)
...
Que cada um seja feliz,
Que cada um se liberte da dor,
Que ninguém jamais seja separado da sua felicidade,
Que todos tenham equanimidade e sejam ivres do ódio e do apego.

FECHAMOS OS OLHOS E IMAGINAMOS AO MESMO TEMPO QUE DIZEMOS:

No espaço à minha frente está Buda Shakyamuni vivo, rodeado por todos os Budas e Bodissatvas, como a lua cheia rodeada pelas estrelas.

Com meu corpo, fala e mente, humildemente me prostro
E faço oferendas, efetivas e imaginadas.
Confesso meus erros de todos os tempos
E regozijo-me nas virtudes de todos os seres.
Peço: permanece até que samsara cesse,
E gira a Roda do Darma para nós.
Dedico as virtudes à grande iluminação.

O chão salpicado de perfume e flores,
A Grande Montanha, quatro regiões, sol e lua,
Percebidos como a Terra de Buda e assim oferecidos.
Que todos os seres desfrutem dessas Terras Puras.

Ofereço, sem nenhum sentimento de perda,
Os objetos que despertam o meu apego, ódio e confusão,
Amigos, inimigos e estranhos, nossos corpos e prazeres.
Peço, aceita-os e abençoa-me, livrando-me diretamente dos três venenos.

IDAM GURU RATNA MANDALAKAM NIRYATAYAMI

O caminho começa com firme confiança
No meu bondoso mestre, fonte de todo bem.
Ó, abençoa-me com essa compreensão
Para que eu possa seguir o meu mestre com grande devoção.

Esta vida humana, com todas as suas liberdades,
Extremamente rara, com tanto significado.
Ó, abençoa-me com essa compreensão
Dia e noite para captar a sua essência.

Meu corpo, qual bolha d’água,
Decai e morre tão rapidamente.
Após a morte vêm os resultados do Karma,
Como a sombra atrás de um corpo.

Com esse firme conhecimento e lembrança,
Abençoa-me, para ser extremamente cauteloso,
Evitando sempre ações nocivas
E reunindo abundante virtude.

Os prazeres do samsara são enganosos,
Não trazem contentamento, apenas tormentos
Abençoa-me para que seja capaz de fazer um esforço sincero
E obter o êxtase da liberdade perfeita.

Ó, abençoa-me para que desse pensamento puro
Resulte contínua-lembrança e imensa cautela,
A fim de manter como prática essencial
A raiz da doutrina, o pratimosha.

Assim como eu, minhas bondosas mães
Estão se afogando no oceano do samsara.
Para que logo eu possa salvá-las,
Abençoa-me para treinar a bodichita.

Mas não posso tornar-me um Buda
Apenas com isso, sem as três éticas.
Assim, abençoa-me com a força de praticar
A ordenação bodissatva.

Por pacificar minhas distrações
E analisar perfeitos sentidos,
Abençoa-me para logo atingir a união
Entre concentração e sabedoria.

Quando me tornar um puro recipiente
Pelos caminhos comuns, abençoa-me para ingressar
Na essência da prática da boa fortuna,
No supremo veículo, vajrayana.

As duas conquistas dependem, ambas,
De meus sagrados votos e compromissos.
Abençoa-me para entender isso claramente
E conservá-los à custa da minha vida.

Por sempre praticar em quatro sessões
A via explicada pelos santos mestres,
Ó, abençoa-me para obter ambos os estágios
Que são a essência dos tantras.

Que os que me guiam no bom caminho
E meus companheiros tenham longas vidas.
Abençoa-me para pacificar inteiramente
Todos os obstáculos internos e externos.

Que eu sempre encontre perfeitos mestres
E deleite-me no santo Darma,
Conquiste todos os solos e caminhos velozmente
E obtenha o estado de Vajradara.

Receber bênçãos e purificar

Do coração de todos os seres sagrados, fluem correntes de luz e néctar, concedendo bênçãos e purificando.

DEPOIS DA MEDITAÇÃO, dizemos:

Pelas virtudes que coletei
Praticando as etapas do caminho,
Que todos os seres vivos tenham a oportunidade
De praticar da mesma forma.

Que cada um experiencie
A felicidade de humanos e deuses
E rapidamente alcance a iluminação,
Para que o samsara seja finalmente extinto.

NOTA:
Estas preces foram compiladas de fontes tradicionais por Kelsang Gyatso.

. . .


O tempo de meditação deve ser de 10 a 15 minutos, 1 vez ao dia. Não há necessidade de utilizar alguma música nem se preocupar com os resultados e não se aborrecer no caso de perder a concentração. Apenas deve-se voltar ao objeto de meditação, quando perde-se o foco. Isto são coisas que demoram um certo tempo a conseguir atingir, vai-se aos poucos. Foi o que aprendi.

É difícil, no meu primeiro dia de meditação não cheguei aos 10 minutos e não pensar em nada foi extremamente complicado, mas no 3º dia consegui finalmente meditar - não pensar em nada me concentrando apenas na minha respiração -, mas ainda não atingi os 15 minutos, já cheguei aos 12 minutos, mas qualquer dia eu chego lá, sem pressa e com paciência.

O aprendizado está sendo uma ótima experiência. Além disso, o Dharma é muito mais do que escrevi aqui, mas não é minha pretensão dar lições, apenas comentar sobre uma experiência que vem sendo bastante prazeirosa e proveitosa. E penso que não foi por acaso que a Ana apareceu em meu caminho já há algum tempo.

fonte:Ana Grichetchkine

2 comentários:

Maria disse...

Falta-me a paciência para muitas coisas... mas é da idade. Nada preocupante, portanto.
:))

Beijinhos, Cris.

Cris Caetano disse...

rsrsrsrs :))

E claro que o Dharma vai além da praticar a paciência... ;)

Beijão, Maria

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