sábado, 11 de fevereiro de 2006

Sonho americano

Óleo de fritura poderia virar a gasolina do futuro

Em busca de novos combustíveis, um número cada vez maior de americanos "enche o tanque" com gordura usada que pode ser encontrada nos fundos das cozinhas dos fast-foods, para fabricarem então bio-diesel, pouco poluente e barato.

É amarelo, bastante viscoso, e ninguém consegue chegar a um acordo para definir seu cheiro. "Alguns acham que isso tem cheiro de batatas fritas. Outros, de pipoca", diz Peter Bell, que o fabrica em Austin (Texas). "Isso cheira a vinagrete para a salada", corrige Dan Goodman, que possui um frasco do produto na mesa do seu escritório, na Universidade do Maryland.

O líquido em questão, o bio-diesel, é um bio-combustível de origem vegetal, um desses novos combustíveis com os quais os Estados Unidos contam para reduzir um dia sua dependência energética em relação ao Oriente Médio. Inexistente dez anos atrás, ele acaba de aparecer nas estatísticas do ministério da energia. A sua denominação: "gordura amarela". É óleo de cozinha, que é colocado dentro do motor.

O fenômeno adquiriu certa força no período de poucos anos. Em toda a América, diversos indivíduos empreenderam coletar gordura de batatas fritas junto a restaurantes e a fast-foods para transformá-la em bio-combustível.

Para o diário "Star Tribune", de Minneapolis, esses novos "comerciantes de bricabraque" participam de uma "sub-cultura em expansão". Eles conseguem andar 1.000 quilômetros com um motor que não gera praticamente nenhuma poluição. E com um só tanque cheio de uma gordura que nada lhes custou.

A jazida de matéria-prima não é desprezível: 300 milhões de galões de óleos utilizados são produzidos a cada ano nas cozinhas americanas, ou seja, mais de 1 bilhão de litros (1 galão vale 3,79 litros). "Está havendo um fenômeno de moda", explica Josh Tickell, um dos pioneiros da disciplina. "As pessoas estão com vontade de fabricar bio-diesel. E a sua produção por meio de óleo de cozinha é um método acessível a todo mundo".

Basta misturar o óleo usado com álcool (metanol). Por meio de um kit de conversão, vendido na Internet, é possível garantir que o combustível não se torne espesso quando faz frio. Ainda assim, existe uma dificuldade: é preciso possuir um veículo a diesel, e, a este título, apenas 5% do parque automobilístico americano correspondem a esta característica.

Josh Tickell é o autor do livro intitulado "From The Frayer to The Fuel Tank" ("Da Frigideira ao Tanque de Diesel"). Ele circulou por todo o país durante dois anos com uma van "veggie", um mini-ônibus pintado de flores de girassol e alimentado exclusivamente com o óleo dos restaurantes cruzados no caminho. Em 6 de fevereiro, ele lançou seu segundo livro, "Biodiesel América", no mesmo dia em que foi aberta a Conferência Nacional sobre o Bio-diesel em San Diego (Califórnia), que atraiu 2.000 participantes, ou seja, duas vezes mais que em 2005.

O restante da notícia aqui.


fonte: Le Monde

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