terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Brasil e o primeiro mapa de aves ameaçadas

O Brasil tem, só nos Estados da mata atlântica, 163 áreas prioritárias para a conservação de aves, e 37% delas não estão sob nenhum tipo de proteção. Os dados são de um levantamento inédito, realizado ao longo de cinco anos e que será publicado em forma de livro no mês que vem.

O estudo foi realizado pela Save (Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil), uma organização ambiental filiada à rede Birdlife International. Desde 2000, pesquisadores da ONG compilam informações sobre as chamadas IBAs (Áreas Importantes para Aves, na sigla em inglês) nos 15 Estados da mata atlântica.

O resultado, o livro "IBAs do Brasil", será lançado durante a COP-8 (Oitava Conferência das Partes) da Convenção da Biodiversidade, que acontece em março em Curitiba.

Trata-se do primeiro mapa do gênero feito para o Brasil - levantamentos semelhantes já existem para Europa, América do Norte, África, Argentina e Andes. E já vem tarde: algumas das espécies mapeadas estão à beira da extinção, em alguns casos com sua ocorrência global restrita a poucos milhares de hectares, em matas que continuam sendo destruídas pelos motivos mais diversos: da construção de casas de veraneio de gente rica à extração de lenha para sustentar gente pobre.

"A gente já está com água no pescoço", diz o ornitólogo Pedro Develey, da Save. "Na mata atlântica você não tem muito tempo para agir", continua o cientista. Ele é co-autor do estudo juntamente com Glayson Bencke, Priscila Nápoli e Giovanni Maurício.

Mas nem tudo são mazelas na mata atlântica. Durante o trabalho de identificação das IBAs, foi redescoberto na natureza um animal dado como possivelmente extinto, o entufado-baiano. Ele habita o médio Jequitinhonha, entre Minas e Bahia, uma das regiões mais pobres do país.

Outro caso, mais delicado, é o de uma nova espécie de coruja descrita em 2002 em Pernambuco, também durante o mapeamento. "Em 1980 ela já havia sido identificada, mas a área em que ela foi descoberta foi embora", disse Bencke. "A outra mata que ela habita tem cem hectares. É preciso achar urgentemente novas áreas de ocorrência."

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