sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

"Bambi 2 - O Grande Príncipe da Floresta"

A verdadeira história

Apesar do título, "Bambi 2" não é uma continuação. É, na verdade, um interlúdio da clássica animação da Disney de 1942.

A história do novo desenho começa logo após o momento de maior drama da animação anterior, uma das cenas mais emocionantes da história do cinema: o assassinato da mãe de Bambi por um caçador e a adoção do pequeno órfão pelo grande cervo da floresta, que ele descobre, naquele momento, ser seu pai.

No filme original, há um salto temporal para atenuar o drama da morte da mãe - Disney preferiu não deprimir a platéia com o sofrimento de Bambi, passando direto ao seu crescimento e terminando com o cervo já adulto, "casado" e com um filhote. Nesta nova animação, a história preenche justamente esse salto, narrando o que acontece quando a criação de Bambi é assumida, meio a contragosto, por seu pai, o tal "grande príncipe da floresta" do título.

A monárquica relação entre pai e filho é o tema aqui: no papel de príncipe herdeiro, Bambi precisa aprender os valores de um bom governante da floresta, e estes são transmitidos por seu pai, que, devido às "normas" de seu "cargo", mantém um distanciamento emocional em relação ao filhote.

O relacionamento dos dois vai mudando à medida que Bambi vai provando seu valor, fazendo com que o pai desenvolva um afeto genuíno pelo filho. Para isso, o pequeno cervo conta com a ajuda de sua fauna de amigos do desenho original, como sua namorada, Faline, o irrequieto coelho Tambor e o delicado gambá Flor.

Se não atinge a mesma qualidade de seu antecessor - que era praticamente um balé coreografado com música clássica e pintado com tintas impressionistas -, "Bambi 2" também não faz feio: suas animações são admiráveis e seu roteiro dosa bem o humor, o drama, a aventura e o romance.

Por fim, há pelo menos uma passagem inovadora: com uma ironia até certo ponto ousada, um dos personagens debocha do nome de Bambi, sugerindo que ele é um sinônimo de efeminação - como, de fato, acabou se tornando após o primeiro desenho.


fonte: Marco Aurélio Canônico para a Folha de S.Paulo

0 comentários:

Blog Widget by LinkWithin
 
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.