sábado, 5 de fevereiro de 2011

Sobre decepção






Faz-me uma imensa confusão pessoas que usam discursos prontos como sua filosofia de vida. Acho que a vida não é apenas preto e branco, tem diversas cores misturadas que acabam por transformar essas verdades absolutas em pura ilusão.

Canso de ouvir que só se decepciona quem cria expectativas, até concordo que há quem fantasie por muito pouco, ou melhor, que seja tão ingênuo que muito provavelmente irá colher uma quantidade imensa de decepções ao longo da vida por ser assim. Mas este discurso decepção/expectativa não faz o menor sentido pra mim, a decepção só acontece diante de um fato inesperado, é aquela surpresa que nos assusta, que nos leva a nos perguntarmos onde erramos ou se estávamos desatentos embora na maioria das vezes não tenhamos a menor responsabilidade perante uma decepção.

Eu tinha um amigo de anos, daqueles que tratamos por irmão, "tinha" porque não tenho mais embora ele esteja vivinho da Silva. E numa certa altura da minha vida, sem que nada tivesse acontecido esse amigo sumiu, deixou de querer contactar comigo. Passei alguns meses mandando mensagens onde não recebia qualquer resposta, eu sabia que ele estava bem porque viajava e saía com uma conhecida em comum. Um outro amigo nosso, em comum, também não obteve resposta dele nem por telefone (o fato triste não aconteceu apenas comigo).

Que expectativa criei dele, a dele ser meu amigo? Ora, bolas, não criei, ele era e ponto final, deu provas disso em diversas situações e nunca me peguei pensando se ficaríamos velhinhos e ainda amigos, cada um amparando a bengala alheia, nada... era um amigo muito próximo e muito querido como outros que tenho.

Fiquei triste, e obviamente decepcionada... que outra palavra além de "decepção" eu usaria para exemplificar como me senti? Além da tristeza por não fazer a menor idéia do que o levou a se afastar, me decepcionei com uma atitude inesperada, e não havia a menor hipótese de ser considerada.

Sem contar de outro caso que conheço, de um amigo de meus pais, que depois de mais de 50 anos de amizade, descobriu que o amigo de infância o havia roubado durante anos (muitos anos), aí eu digo o quê? "Cara, sinto muito, você se decepcionou porque confiou no seu amigo e você não deveria confiar nem na sua própria sombra".

Aloooooou!!! Ah, tenha dó... a decepção faz parte da nossa vida. Não sei que lição tiro da atitude desse amigo mas não deixarei de ser menos amiga dos outros que tenho porque ele demonstrou que a amizade que tinha por mim era baseada em algum interesse que deixou de existir, embora eu não saiba, ainda, qual.



foto:Google

4 comentários:

Anya disse...

Hi Cris

I have translate it
and its very touching !!!!

Have a nice week- end
:))

Cris Caetano disse...

Hi, dear! :)

Thanks, for U too. :)

Luis Eme disse...

compreendi a tua perspectiva, Cris.

infelizmente parece que o conceito "amigo" está a mudar (provavelmente o "faiceboque" ajuda...)

a amizade não é algo com valores flutuantes, vive de coisas como a empatia, a verdade, a disponibilidade e o apoio.

quando só existe de um lado, não é verdadeira amizade.

infelizmente é algo comum nesta nossa sociedade, povoada de falsos amigos, gente pronta a servir-se dos outros, cuja postura muitas vezes até é evidente mas nós não queremos ver...

beijos

Cris Caetano disse...

Sem dúvida, Luis... eu torço (muito) para aqueles que eu considero amigos durem uma eternidade como aconteceu ao meus pais com seus amigos.

Beijos

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