terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Cansaço






Eu queria tanto que existisse justiça social em todos os países, queria tanto que pessoas não precisassem morrer covardemente enquanto lutam por seus direitos. Queria tanto que não houvesse prepotência e arrogância. Queria tanto que a nível profissional as pessoas tivessem ética e apenas cuidassem de fazer os trabalhos de sua responsabilidade bem feitos.

Queria tanto que as pessoas tivessem cuidado com os sentimentos do próximo e se preocupassem em não ferir. Queria tanto que pais tomassem a responsabilidade de filhos que contribuem para colocar no mundo. Queria tanto que mães não abandonassem bebês recém-nascidos. Queria tanto que não abandonassem animais e idosos como se fossem uma roupa velha que não serve mais. Queria tanto que não precissasse haver justiça já que todos seriam justos.

Eu sei que é utopia, eu não sou assim tão naïf, mas por vezes cansa, é um cansaço que dá no coração, um desânimo que murcha a boca, que faz pensar: "o que é que estou fazendo aqui?", "por quê tenho que viver num mundo assim?". Como será o futuro de tantas crianças que nesse momento estão nascendo? Será que vale a pena povoar o mundo com mais pessoas que inevitavelmente sofrerão?

E as palavras? Ah, as palavras... são sempre tão bonitas nas bocas das pessoas, mas tão poucas fazem delas seus atos no dia-a-dia e se assustam, revoltadas perante uma reação, como se fossem vítimas. Por quê a auto-crítica é tão difícil de ser praticada? Por quê um pedido de desculpas é considerado uma fraqueza pra tantos? Por quê é tão difícil perceber que a dois não se erra sozinho? Por quê é tão importante parecer esperto? Pra quê? Pra quê tanta arrogância, tanta prepotência, tanto capricho? Pra quê tanta inveja se o outro nunca sabe realmente como é a vida daquele que ele inveja?

Não me aconteceu nada em particular, mas abrir o jornal diário começa a ser um fardo pesado, tantas injustiças, tanta violência, tanta estupidez humana. Ouvir desabafos me levam à certeza da minha impotência para alterar a vida daquele que se sente triste. E não posso enfiar a cabeça na areia e cancelar a assinatura do jornal ou me recusar a ver as notícias pela TV, não posso deixar de ouvir e abandonar quem precisa de afeto.

E amanhã é outro dia e depois outro e outro e haverá diversas pessoas infelizes: as vítimas dos algozes e os próprios algozes que não saciam a sua fome perante a infelicidade alheia.


4 comentários:

Georgia disse...

É amiga, eu também queria tanto. Me junto a você neste grito, nessa lamentacoes de desejos...


Um bjao

Cris Caetano disse...

Ai, nem fala. Sabe que quase voltei pra deletar o post? Acabei achando pesado demais.
Eu acho que poderíamos viver um bocadinho melhor se a maioria tivesse um pouco de boa vontade, mas enfim... há dias em que sinto essa angústia aí descrita. Chato, né? :(

Beijão

Beth/Lilás disse...

Oi, Cris!
Que texto pungente, pois também sou dessas que de vez em quando me sinto cansada ao ver tanta desordem, tanta falta de senso e amor ao próximo, na verdade.
Gostei do teu blog. Vou seguir, posso?
beijos cariocas

Cris Caetano disse...

Beth, é tão bom ver seu comentário, não estarmos sozinhos nesta angústia dá esperança. :) Obrigada!

Menina, nem pergunte... siga-o! ;)

À noite retribuirei a visita.

Beijocas

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