domingo, 14 de setembro de 2008



Não sei adormecer: a madrugada
respira num silêncio que é o teu
silêncio, nesta febre
a arder na minha alma tão antiga.

Lá fora os astros não respondem:
as montanhas diluem o tempo e o espaço
e todo o céu começa a dilatar-se
no êntase mais negro enquanto bebo
o cego sofrimento de não estares aqui.

A tua ausência fala-me às escuras
e o olhar devora estas paredes,
o meu quarto vazio onde se oculta
o lume de uma estrela
pronta a morrer. A noite
chama ainda por ti dentro de mim
- sombra feita de luz,
à espera de outro sonho ou do teu próximo
sorriso.


Fernando Pinto do Amaral
foto: Frederic Gaillard

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