terça-feira, 23 de setembro de 2008

Minimizando o erro cometido

Júri vai 'repetir últimos passos' de Jean Charles


Os jurados que acompanham o inquérito público sobre o caso de Jean Charles de Menezes, morto por policiais britânicos em julho de 2005, irão visitar, nesta terça-feira, locais ligados ao trajeto feito pelo brasileiro no dia em que foi morto.

Neste segundo dia de inquérito, os jurados visitarão a estação de metrô de Stockwell, onde Jean Charles foi morto, e o apartamento onde o brasileiro morava, no bairro de Tulse Hill, no sul de Londres.

Jean Charles de Menezes, de 27 anos, foi baleado sete vezes depois de ter sido confundido com um suposto homem-bomba, Hussain Osman, em 22 de julho, um dia depois de uma série de tentativas fracassadas de atentados suicidas no sistema de transporte de Londres.

O legista Michael Wright irá acompanhar os jurados para ajudar a esclarecer dúvidas sobre cada local.

As seis mulheres e cinco homens que compõem o júri serão levados, primeiro, para a estação de Stockwell, mais especificamente para a plataforma 2, onde Jean Charles entrou em um vagão de trem da Northern Line do metrô antes de ser morto.

Acredita-se que os trens de metrô continuarão funcionando normalmente durante a visita, mas os jurados só deverão permanecer no local por alguns minutos.

Depois, eles irão visitar o prédio de apartamentos onde o brasileiro morava, na rua Scotia.

Policiais que investigavam Hussain Osman haviam montado uma operação no local no dia 22 de julho depois das tentativas de atentados do dia anterior.

Os jurados também visitarão a New Scotland Yard e estações de polícia em Leman Street, no leste de Londres, e em Nightngale Lane, no sudoeste da capital.

'Convencidos'

Na segunda-feira, primeiro dia do inquérito que deve durar 12 semanas, os jurados ficaram sabendo que os policiais que atiraram em Jean Charles tomaram a decisão de matá-lo em questão de segundos.

O legista Michael Wright disse que os dois policiais estavam "convencidos" de que Jean Charles iria detonar uma bomba no metrô.

Falando aos jurados sobre os eventos que culminaram com a morte do brasileiro, Wright enumerou uma série de ocasiões nas quais os policiais não estavam certos se estavam ou não perseguindo um homem-bomba.

Ele falou sobre as diferenças entre as instruções sendo passadas por rádio - e registradas na sala de controle da Scotland Yard - e a interpretação dessas informações feita pelos policiais.

Wright também disse aos jurados que quando Jean Charles entrou na estação de metrô, nenhum integrante da equipe de vigilância o havia identificado positivamente como Hussain Osman.

Falando sobre a decisão dos policiais de atirar, o legista disse que os dois atiradores juntos haviam disparado nove balas, sete das quais atingiram a cabeça do brasileiro.

Os dois policiais - identificados apenas como Charlie 2 e Charlie 12 - irão prestar depoimento pela primeira vez ao longo do inquérito.

O júri irá decidir se Jean Charles foi ou não morto ilegalmente.

Ao falar aos jurados no início do inquérito, Wright disse que a procedimento é um exercício para descobrir o que aconteceu exatamente no dia e "não um fórum para determinar culpa ou compensação e muito menos para punir alguém."

n.r.: a incompetência da polícia não é privilégio do Brasil, mas é muito triste perceber que em todos os casos onde isso acontece, procura-se meios para minimizar um erro. A vida desse rapaz está perdida, nada pode aliviar a dor de seus familiares, mas o importante é punir o erro e começarem a usar meios de inteligência mais eficazes e não de "achismos" para ir à caça de simples bandidos ou terroristas.


fonte:BBC Brasil

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