segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Fábrica de vinil resiste no Rio


Se o novo disco de Caetano Veloso chegar aos pick-ups de DJs europeus e às boates da moda de São Paulo e Rio, carregará um pouco da poeira da Baixada Fluminense. A versão em LP de "Cê" foi prensada no município de Belford Roxo, na última fábrica de vinis em atividade no Brasil, a Poly Som.

Caetano é um nome de primeira linha que se integrou à turma dos que não querem deixar o vinil morrer. Está do lado de Los Hermanos, Nando Reis, Ed Motta e outros que têm lançado seus discos também em LP. O objetivo principal é fazê-los chegar às pistas de dança, pois DJs que se prezam preferem as grandes bolachas. Sorte da Poly Som, que assim consegue sobreviver, apesar das dificuldades. Em 2004, a fábrica produziu 43 mil discos. Em 2005, foram 32 mil. Até julho deste ano, só 12,4 mil.

Segundo a gerente sa Poly Som, Luciana Carvalho, a maior parte das encomendas vem de bandas de rock. Em segundo lugar estão os rappers.

Na contramão da história, a Poly Som foi criada em 1999 por Nilton José Rocha, que trabalhava há 30 anos no meio fonográfico. Ele construiu uma linha de montagem capaz de produzir até 5.000 LPs por dia. Chegava perto disso até 2001, enquanto recebia pedidos de igrejas evangélicas. Depois que elas passaram para os CDs, as encomendas minguaram.

A maioria das gravadoras prefere fazer o corte (a feitura do disco) no exterior, deixando com a Poly Som apenas a prensa (a reprodução das matrizes). Como o produto é caro - "Cê" sairá por R$ 84 -, os LPs geralmente têm fins promocionais, sendo distribuídos a DJs.



fonte: Folha Online

0 comentários:

Blog Widget by LinkWithin
 
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.