segunda-feira, 30 de junho de 2008

Marcel Duchamp

MAM comemora 60 anos com a maior exposição de Duchamp


Acontece a partir do dia 15 de julho, em São Paulo, a maior exposição da obra do artista francês naturalizado americano Marcel Duchamp já realizada na cidade, e que marca os 60 do MAM, Museu de Arte Moderna de São Paulo. A exposição, que tem o título "Marcel Duchamp: uma obra que não é uma obra 'de arte'", está focada na produção do artista de 1913 até sua morte, em 1968, período em que, segundo a curadora da mostra Elena Filipovic, se concentra a produção mais radicalmente questionadora do artista.

"Ele pode ter feito muitos trabalhos antes, muitas pinturas, na verdade, mas é nesse momento que ele se torna o Marcel Duchamp em que pensamos hoje", explica Filipovic, que é especializada no artista e conclui este ano um doutorado na Universidade de Princeton (EUA) sobre ele.

Por "Marcel Duchamp em que pensamos hoje", entenda-se o artista que expôs como arte, por exemplo, um mictório assinado e uma roda de bicicleta, ou que desenhou um cavanhaque na "Monalisa", atitudes provocadoras que redefiniram para sempre o conceito de obra de arte.

Para Filipovic, Duchamp (1887-1968) seria o primeiro 'artista-pensador', para quem a própria idéia é a obra de arte. Depois dele, ela prossegue, "o mais importante não é a técnica do artista, mas a idéia contida pela obra", noção que influenciou gerações de artistas posteriores com trabalhos tão diversos como o americano Andy Warhol ou o brasileiro Cildo Meireles.

A última exposição sobre Duchamp em São Paulo, de tamanho mais modesto, aconteceu há mais de 20 anos. Em 1987, a cidade recebeu, numa sala especial da 19ª Bienal Internacional de Arte, uma mostra com 75 obras do artista, com curadoria do colecionador italiano Arturo Schwarz.

A exposição que chega agora traz trabalhos inéditos no país, fundamentais para o pensamento duchampiano, como a réplica do "Grande Vidro", a "Caixa de 1914" e uma intrigante reprodução "virtual" (mas não computadorizada) do "Étant Donnés" ("Sendo Dados"), feita dentro de uma pequena sala (uma espécie de container) em que os visitantes podem olhar dentro.

Toda a exposição, aliás, estará pontuada por essas pequenas salas "encaixotadas" que não podem ser adentradas, mas cujo interior, que encerra reconstruções do atelier do artista ou de exposições inteiras montadas por Duchamp, pode ser espiado.

"Duchamp estava sempre pensando no espaço expositivo, e em como criar uma nova obra de arte com a maneira como o trabalho era exibido", conta a curadora, "e o fato de que Duchamp estivesse pensando na conceituação de seu trabalho e do espaço expositivo nessas circunstâncias, ficou meio que à margem da história, pois esses espaços são efêmeros".

A consciência do entorno da obra e sua maneira de exibição são preocupações do artista que a exposição explorou na seleção de trabalhos e na arquitetura da montagem. "A forma de exibição nem sempre é uma preocupação do artista. Ele, às vezes, simplesmente cria 'algo' que é o que é, mas que não considera seu entorno e sua exibição".

"Partimos do princípio de que o próprio Duchamp era um exímio pensador dos espaços de exposição, e era importante que a exposição fosse inovadora em sua maneira de pensar o espaço", avalia Filipovic, que contou com os serviços da firma de arquitetura italiana Caruso e Torricella, responsável pela reforma do Fundação Proa, em Buenos Aires. A fundação argentina, que juntamente com o MAM patrocina a exposição, receberá a mostra a partir de novembro (até janeiro de 2009), por ocasião de sua reabertura ao público.

"MARCEL DUCHAMP: UMA OBRA QUE NÃO É UMA OBRA 'DE ARTE'"

» Quando:
de 15 de julho a 21 de setembro.
De terça a domingo e feriados, das 10h às 18h
» Onde: MAM - Parque do Ibirapuera - Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3
» Informações: (0/xx/11) 5085-1300
» Quanto: R$ 5,50


fonte:UOL

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