quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Os cabelos



Os cabelos
embora o vento passe
Já não se agitam leves. O seu sangue,
Gelando, já não tinge a sua face.
Os olhos param sob a fonte aflita.
Já nada nela vive nem se agita,
Os seus pés já não podem formar passos,
Lentamente as entranhas endurecem
E até os gestos gelam nos seus braços.
Mas os olhos de pedra não esquecem.
Subindo do seu corpo arrefecido,
Lágrimas lentas rolam pela face,
Lentas rolam, embora o tempo passe.


Sophia de Melo Breyner Andresen
foto: Anke Merzbach

4 comentários:

Duarte disse...

... esse tempo imparável, aparentemente lento.

Abraços

Cris Caetano disse...

O tempo só parece que passa...

Beijinhos

Maria disse...

A Sophia tem poema muito belos, embora alguns sejam tristes...
Será que o tempo passa, mdesmo, ou são apenas as folhas do calendário que são arrancadas?

Beijinho, Cris.

Cris Caetano disse...

Adoro Sophia, porque alguma da tristeza de seus poemas sempre me fazem bem, inexplicável.

Cá pra mim são apenas as folhas que são arrancadas...

Beijinhos, Maria

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