quinta-feira, 6 de julho de 2006


Fanatismo


Minh'alma de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Porque tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim, enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isso, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundo, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim! ..."


Florbela Espanca
Modigliani em Paris, Por Roger Violett



Andréa, Florbela é uma das minhas poetisas preferidas e Fanatismo é divino. E Fagner, depois de Chico, é o meu outro compositor/cantor preferido.
Florbela Espanca era uma mulher intensa, era "visceral" mesmo, sua poesia e sua vida confirmam; uma mulher perfeita na expressão poética, que escreve amor com "A" maiúsculo para que não aja dúvida sobre a sua própria dimensão. O que mais gosto neste soneto, e que também me chama muito a atenção, é quando ela, cheia de grande conhecimento e experiência emocional, divertidamente ri-se de muitos "pobres ingênuos" - é assim que os considera - que nesse momento de sua vida, tentam consolá-la dizendo ser o amor algo comum, inclusive efêmero. "Pobrezinhos...tsc, tsc, tsc..."

Aconselho para quem gosta do gênero, o livro "Florbela Espanca - Sonetos" pela Ed. Bertrand.

n.r.: ainda estou em falta com várias/os amigas/os desde as férias, porque ainda estou fazendo fisioterapia e o meu PC só para me irritar, não tem colaborado comigo. Mas aos poucos, vou entrando nos eixos (literalmente também).

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