quarta-feira, 19 de julho de 2006


Das palavras


Não escrevo das coisas comezinhas
Quotidianas, corriqueiras
Das preocupações diárias
Rotinas
Emoções banais, pequenas
Quase caseiras.
Para escrever de emoções que sejam desmedidas
Loucas, desregradas, descomedidas
Que no amor eu seja vulcão e não fogueira
Que seja terramoto e não tremor
Que seja pátria, causa, objectivo
Estandarte e bandeira.
Se escrever dor
Que seja tão grande que me despedace
Que seja tão cortante que me estilhace
Me quebre
Me divide
Me separe em duas
E que as palavras sejam urro, uivo, grito imenso
Não queixume brando, pranto ou pálido lamento
Escrevendo, escreverei dor maior
Oceano de sofrimento
Mar de mágoa.
Como escrever não sentido a raiva
A revolta
A impotência
E o desalento
De grandes serem as palavras que sinto
E débeis, frouxas, pequenas, banais
Me saírem das mãos
Me escorrerem nos dedos.



Encandescente
foto:Fabrizio Ferri

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