domingo, 16 de julho de 2006

Designer Vincenzo Scarpellini morre de cancêr em S.Paulo

Veja e ouça a arte de Vincenzo Scarpellini

Vicenzo Scarpellini publicava toda semana pela Folha de S.Paulo, desenhos acompanhados de textos breves na tentativa de descortinar a cidade de São Paulo - uma cidade invisível porque foge de si mesma. Alguns desenhos e textos foram escolhidos e publicados em dois livros lançados pela editora Ateliê: "São Paulo - Vidas" e "São Paulo - Trânsitos".

Os desenhos são feitos com crayon e pastel de cera, sempre a partir de lugares ou pessoas visitados pelo artista. Segundo Jô Soares: "É um olhar sutil que enxerga beleza na anarquia".

O site apresenta os livros e a possibilidade de ouvir o texto em vez de lê-lo.


Começo da 9 de julho

Mas há uma maneira de se conciliar com o trânsito.
Encorporá-la numa paisagem mais ampla.
Para tanto, deve-se olhá-lo de longe.
Do alto de uma ponte, por exemplo.
De lá, pequena entre as linhas e as superfícies dos prédios,
uma avenida transforma-se num leito de rio.
No qual o fluxo dos carros desliza, suave.
Apartir deste instante, curta as mudanças de luz.

Vincenzo Scarpellini - Trânsitos

Valores
O menino que entrou no estúdio queria comprar uma obra.
Mas destacou que só dispunha de modestas economias.
A artista entendeu.
Avisou que não cobraria mais do que o menino tinha no bolso.
Por delicadeza, o menino não escolheu uma obra grande
e saiu sorrindo. Seu nome foi esquecido.
Conhece-se porém, o nome da artista.
Renina Katz, venerável gravurista paulistana.
Vincenzo Scarpellini - Vidas

Arte em Luto

O designer gráfico italiano Vincenzo Scarpellini, 41 anos, morreu neste sábado (15), às 11h30, em São Paulo. Ele estava internado no hospital Nove de Julho, onde se tratava de um câncer no estômago, diagnosticado há um ano.

No Brasil desde 1996, foi um dos responsáveis pela penúltima reforma gráfica da Folha, implementada em maio de 2000. Na época, ele classificou a renovação como uma "revolução silenciosa, porque atinge o âmago do jornal".

Em outubro daquele ano, começou a assinar, com Gilberto Dimenstein, a coluna "Urbanidade", no caderno Cotidiano, elaborando as ilustrações.

Scarpellini nasceu em Ascoli Piceno, na Itália. Formou-se em design e em jornalismo em Roma, onde deu aulas em uma universidade.

Sua experiência profissional na Itália tem como destaque a direção de arte do jornal "Il Manifesto", ligado à esquerda, de 1989 a 1995, com colaboração de Pier Giorgio Maoloni. Assinou também a direção de arte do suplemento "Suq", do mesmo jornal, de 1991 a 1995.

No Brasil, radicou-se inicialmente no rio, onde reformulou o projeto gráfico da revista "Manchete" (feito em conjunto com Carlo Rizzi). Em 1997, começou a fazer trabalhos em são Paulo.

Naquele ano, reformulou o design da revista "A&D", para a Editora Abril, e, em 1998, assinou o projeto gráfico da revista "Nova Beleza".

Ele é autor de "São Paulo - 2 Vidas", editado pela Ateliê em 2005. Escreveu também livros infantis, como "A Invasão dos Sons Espaciais" e "A Turma do Ponto" (com Mônica Rodrigues da Costa), pela editora Harbra.

Em 2002, apresentou no Conjunto cultural da Caixa "San Paolo, Cidade em Fuga", exposição composta de desenhos, óleos e um vídeo.

Em 2005, realizou a mostra "Nodi" (nós) no Palazzo dei Capitani, em Ascoli Piceno, com desenhos, óleos e cerâmicas. A exposição veio para São Paulo, na Caixa Cultural, em 2005.

Scarpellini deixa uma filha, Sophia, 2, e a mulher, Cláudia Marques. O corpo será cremado neste domingo, meio-dia, no crematório da Vila Alpina.


fonte: Folha Online

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