quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Sarah Bernhardt volta a ser venerada



"Se eu fosse mais velha, teria podido conhecer Sarah Bernhardt. Não era magnífica?", diz Marilyn Monroe num trecho do clássico "O Pecado Mora ao Lado". Assim começa, no Jewish Museum de Nova York, a primeira exposição consagrada por um grande museu americano a esse monstro sagrado do teatro. "Sarah Bernhardt: the Art of High Drama" ficará até 2 de abril de 2006 aberta a visitação.

"A atriz mais famosa do mundo" em sua época é "a mãe" das atrizes de Hollywood modernas, afirmou Carol Ockman, historiadora de arte e responsável pela mostra.

Sarah Bernhardt (1844-1923) "é a primeira estrela de massas, ela criou o modelo da celebridade hollywoodiana tal como o conhecemos atualmente. Conseguiu um público internacional, ninguém conseguiu isto melhor do que ela. Ela representa o teatro clássico francês, mas também a grandeza ao estilo Hollywood", estimou.

A atriz francesa se apresentou por todo o mundo, das ilhas Samoa ao Senegal, percorrendo também os Estados Unidos durante oito anos, viajando de trem. Ela parava numa cidade e representava, sob uma capa e sempre em francês.

Ela soube primeiro que todos como se cria a notoriedade: "uma repetição", é preciso estar em todas as partes. Ela fez a sua publicidade, associou seu nome a produtos e sua imagem aparecia estampada em pacotes de cigarros na França ou na propaganda de cremes nos Estados Unidos. Também ajudou o inventor Thomas Edison, que gravou sua voz a partir de 1881.

Seu esplendor de diva, seu estilo de vida, seus desafios aos cânones da feminilidade, sua falta de etiqueta - "judia e católica, cultivada e popular" - continuam sendo nos Estados Unidos uma referência da contracultura, do mundo do teatro, segundo Ockman.

No total, 250 objetos pessoais e acessórios de teatro estão expostos no Jewish Museum, vindos do Museu Orsay de Paris, do Museu Alphonse-Mucha do Japão e do Victoria and Albert Museum de Londres: retratos de Nadar, um crânio humano oferecido por Victor Hugo, um corselet com cintura de vespa para representar "Hernani", um espelho com o lema "Apesar de tudo" ou caricaturas da estrela.

Para os organizadores da exposição, a atriz "continua ancorada na cultura americana". Durante muito tempo, a expressão "Quem você pensa que é? Sarah Bernhardt?" foi bastante comum nos Estados Unidos.

No dia 12 de dezembro, várias atrizes americanas, entre elas Debra Winger e Cherry Jones, farão uma apresentação no Museu com base no repertório da atriz "com voz de ouro".

0 comentários:

Blog Widget by LinkWithin
 
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.