E a Constituição Espanhola
O fato de a primeira descendente dos príncipes das Astúrias ser uma menina reabriu o debate sobre uma reforma da Constituição Espanhola, de 1978, que privilegia o acesso do homem ao trono. Zapatero prometeu retomar o debate sobre a reforma após sua posse, mas o processo se afigura longo e complexo.
A infanta Leonor, nascida na madrugada de segunda-feira em Madri, é o sétimo neto dos reis da Espanha, Juan Carlos e Sofia. A menina é a segunda na linha de sucessão ao trono, atrás de seu pai, Felipe de Borbón.
A menina poderá chegar a ser rainha, ou seja, chefe do Estado espanhol, se for filha única ou se tiver apenas irmãs. Se tiver um irmão, ela só poderá chegar ao trono se o artigo 57.1 da Constituição Espanhola for modificado.
Embora a Carta Magna vigente garanta a igualdade entre homens e mulheres, no caso da sucessão à Coroa ela estabelece expressamente a primazia do homem em detrimento da mulher sempre que ambos tiverem o mesmo grau.
Numa declaração institucional, o chefe de governo, José Luis Rodríguez Zapatero, saudou a continuidade dinástica garantida pela chegada da nova herdeira, mas não abordou explicitamente a reforma constitucional, uma de suas promessas após assumir em abril de 2004.
Zapatero considerou que a prioridade para o homem no acesso à coroa discrimina a mulher. Uma reforma semelhante poderia transformar a Espanha no quinto país europeu a garantir a igualdade entre homens e mulheres na chegada ao trono, depois do Reino Unido, da Dinamarca, da Holanda e da Bélgica.
"Nasceu uma rainha?" era a pergunta feita na madrugada de segunda-feira ao príncipe Felipe.
"Nasceu uma infanta e, se houver a reforma proposta pelo governo, assim será", respondia o herdeiro da coroa, primeiro na linha de sucessão atrás de seu pai, Juan Carlos I. No dia 22 de novembro, o rei espanhol completará 30 anos no trono da monarquia espanhola, restabelecida depois da morte do ditador Francisco Franco.
"Leonor é gordita e redonda", afirma a Rainha depois de visitar a neta na Clínica