Um passeio ao Cristo Redentor, no Corcovado, acabou em tragédia para uma família do interior de São Paulo. O funcionário público Aparecido Edivaldo Rodrigues, 42 anos, foi assassinado com dois tiros ao tentar evitar o seqüestro de sua mulher e de sua filha, na Estrada das Paineiras, no caminho do Mirante Dona Marta para o Corcovado. Ele foi levado para o Hospital Adventista São Silvestre, mas não resistiu aos ferimentos. Os tiros atingiram a cabeça e as costas. Edivaldo, a mulher e seus três filhos voltavam de uma viagem de férias em Conceição da Barra, divisa da Bahia com Espírito Santo, e retornariam para São Paulo ontem mesmo.
Segundo o filho mais velho, Bruno, 21 anos, por volta das 10h30m de ontem, os cinco subiam as Paineiras, no Ecosport vinho DML 3755, e já estavam a 2,5 quilômetros do Corcovado, quando foram interceptados por dois bandidos num Gol cinza. Edivaldo lutou com um dos bandidos e foi baleado. Bruno foi ameaçado, mas conseguiu, com a ajuda do pai, evitar o seqüestro da irmã e da madrasta.
Vítima foi levada ao hospital por uma van
Uma patrulha do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BPTur), baseada no Corcovado foi avisada do caso pelo motorista de uma van que havia passado pelo local.
— Meu pai só queria defender as duas, o carro eles podiam levar. Mas o pior foi a demora do socorro. Ele poderia estar vivo — conta, revoltado, o jovem, que também lutou com os bandidos e ficou com machucados nos pés e braços.
O local não tem postos policiais e apenas dois carros baseados no Corcovado e no Mirante Dona Marta fazem a segurança da área. A madrasta de Bruno, identificada apenas como Nazaré, está revoltada com a demora do socorro:
— Tivemos que levá-lo de van ao hospital. Não foi fácil conseguir essa carona, ninguém queria parar e, além disso, os bombeiros não fizeram o seu trabalho.
Depois que Edivaldo foi baleado, os dois bandidos fugiram em direção a Santa Teresa, mas perderam o controle do veículo e bateram na mureta. Eles percorreram aproximadamente três quilômetros. Segundo a polícia, depois da batida os assaltantes fugiram em um táxi.
De acordo com Bruno, apenas o celular de seu pai foi roubado. A carteira, o jovem havia escondido embaixo do banco:
— Quando voltei ao carro para verificar o que tinha acontecido, o restante da família ficou com meu pai tentando pegar carona para levá-lo ao hospital. Ele respirava com dificuldade, mas ainda estava consciente.
A família voltou de Conceição da Barra na noite de sexta-feira e se hospedou numa em Macaé, no Norte Fluminense. Os cinco deixaram o local, por volta das 7h7h de ontem, com destino a pontos turísticos do Rio de Janeiro.
Para Bruno e o restante da família, a cidade está fora de suas vidas. Ele compara a violência de São Paulo e Rio:
— Se puder, não volto nunca mais, esse lugar é uma terra de ninguém. Em São Paulo o Primeiro Comando da Capital (PCC) manda as pessoas descerem dos ônibus para incendiar, aqui matam todo mundo e ainda querem seqüestrar duas mulheres indefesas.
O irmão caçula, de 10 anos, que também presenciou a morte do pai, ficou em estado de choque e só perguntava quando eles iriam embora. Bruno, a irmã e a madrasta dizem se sentir sem chão e revoltados.
— Estamos a quatro horas da nossa casa e de mãos atadas. Quero voltar para ver a minha mãe, que passava férias no litoral com a minha avó — desabafa Bruno.
Edivaldo Rodrigues será enterrado no Cemitério Aclimação, na capital paulista, onde está o corpo de seu pai."
Mas 2007 é o ano dos jogos Pan Americanos na "Cidade Maravilhosa" e estamos escolhendo o nome da mascote dos jogos e "o Rio de Janeiro continua lindo, o Rio de Janeiro continua sendo... aquele abraço".