Há cinco anos, ao começar a pesquisar a vida de Carmen Miranda para uma biografia a que se dedicaria com exclusividade a partir de abril de 2003, Ruy Castro ainda considerava plausíveis alguns mitos em torno da vida da cantora. Agora, ao lançar "Carmen - Uma Biografia", poucos desses mitos ficaram de pé.
O cruzamento de dezenas de entrevistas com pesquisas em jornais e arquivos pessoais derrubou para sempre uma série de lendas. Mas, para Castro, essa operação, em vez de diminuir a "pequena notável", aumenta seu tamanho.
"Um dos orgulhos que esse livro me dá é que espero ter conseguido mostrar que Carmen foi praticamente a inventora da música popular brasileira como cantora. Ela inventou um jeito brasileiro de cantar. E já chegou pronta aos Estados Unidos. Na verdade, ela já estava pronta em "Taí'", exalta Castro, referindo-se ao sucesso de 1930 que transformou Carmen de anônima em estrela em um Carnaval.
O jornalista derruba no livro a idéia superficial de que o estereótipo eternizado por Carmen teria sido uma imposição de Hollywood. Afinal, "O Que É Que a Baiana Tem?" surgiu em um filme brasileiro de 1938, "Banana da Terra", e, nele, Carmen, orientada por Dorival Caymmi, já se valeu de indumentária e trejeitos parecidos com os que internacionalizaria a partir do ano seguinte.
"O que houve foi uma exacerbação do personagem", assinala Castro, lembrando que não aconteceu com Carmen nada muito diferente do que acontecia com astros e estrelas norte-americanas. "Spencer Tracy e Humphrey Bogart, por exemplo, faziam sempre o mesmo tipo. As pessoas já sabiam o que iam ver. Carmen ainda conseguiu falar em português nos filmes. Perdeu algumas batalhas, mas ganhou outras."
Duas lendas ambientadas no Cassino da Urca também foram aterradas por Castro. A primeira dizia que Lee Shubert, o empresário mais importante da Broadway, tinha visto um show de Carmen por acaso e que, impressionado, decidira contratá-la.
Impressionado ele ficou, mas, como provam cartas do acervo de Shubert que Castro consultou, pedira uma reserva no cassino já alertado de Carmen poderia interessá-lo. "E o que ele fazia era teatro de variedades, no qual uma brasileira como Carmen poderia se encaixar bem", diz o jornalista.
A segunda lenda, mais famosa, tratava das vaias que ela sofrera ao se apresentar na Urca em 15 de julho de 1940, logo após retornar de sua primeira e muito bem-sucedida temporada norte-americana.
A matéria na íntegra aqui.
O cruzamento de dezenas de entrevistas com pesquisas em jornais e arquivos pessoais derrubou para sempre uma série de lendas. Mas, para Castro, essa operação, em vez de diminuir a "pequena notável", aumenta seu tamanho.
"Um dos orgulhos que esse livro me dá é que espero ter conseguido mostrar que Carmen foi praticamente a inventora da música popular brasileira como cantora. Ela inventou um jeito brasileiro de cantar. E já chegou pronta aos Estados Unidos. Na verdade, ela já estava pronta em "Taí'", exalta Castro, referindo-se ao sucesso de 1930 que transformou Carmen de anônima em estrela em um Carnaval.
O jornalista derruba no livro a idéia superficial de que o estereótipo eternizado por Carmen teria sido uma imposição de Hollywood. Afinal, "O Que É Que a Baiana Tem?" surgiu em um filme brasileiro de 1938, "Banana da Terra", e, nele, Carmen, orientada por Dorival Caymmi, já se valeu de indumentária e trejeitos parecidos com os que internacionalizaria a partir do ano seguinte.
"O que houve foi uma exacerbação do personagem", assinala Castro, lembrando que não aconteceu com Carmen nada muito diferente do que acontecia com astros e estrelas norte-americanas. "Spencer Tracy e Humphrey Bogart, por exemplo, faziam sempre o mesmo tipo. As pessoas já sabiam o que iam ver. Carmen ainda conseguiu falar em português nos filmes. Perdeu algumas batalhas, mas ganhou outras."
Duas lendas ambientadas no Cassino da Urca também foram aterradas por Castro. A primeira dizia que Lee Shubert, o empresário mais importante da Broadway, tinha visto um show de Carmen por acaso e que, impressionado, decidira contratá-la.
Impressionado ele ficou, mas, como provam cartas do acervo de Shubert que Castro consultou, pedira uma reserva no cassino já alertado de Carmen poderia interessá-lo. "E o que ele fazia era teatro de variedades, no qual uma brasileira como Carmen poderia se encaixar bem", diz o jornalista.
A segunda lenda, mais famosa, tratava das vaias que ela sofrera ao se apresentar na Urca em 15 de julho de 1940, logo após retornar de sua primeira e muito bem-sucedida temporada norte-americana.
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