segunda-feira, 10 de agosto de 2009

II



a tarde avança em lençóis de fumo
e tu não bates à minha porta.
enrolo um cigarro de lume para acabar com a dor.
tenho os ouvidos lá fora e o corpo atento

o meu coração é um bandido sem navio nem marés
perdidos os mastros não sabe gritar.

por isso sou apenas um retrato
sem perfil nem disfarce.

a tarde é uma égua e a tua demora uma navalha.



Isabel Mendes Ferreira
foto: Angelicatas

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