quinta-feira, 29 de novembro de 2007

A sujeira debaixo do tapete

Para visita de Lula, Exército e PM "limpam" morros controlados pelo tráfico no Rio


Em meio à discussão sobre o emprego das Forças Armadas no combate ao tráfico no Rio de Janeiro, o Exército foi encarregado de fazer a segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (30), durante a visita aos morros Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, e Cantagalo, para dar início às obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Segurança.

Desde o início da semana, militares e policiais do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae) estão ocupando as duas comunidades, consideradas como altamente perigosas e dominadas pela facção criminosa Comando Vermelho, comandada da prisão de Bangu 1 pelo traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Além do reconhecimento da área, o Exército vasculha os morros e faz uma "limpeza", prendendo suspeitos e verificando locais que podem trazer riscos ao presidente, segundo informaram ao UOL alguns oficiais.

Localizado em frente ao Forte de Copacabana, na zona sul da capital fluminense, o morro Pavão-Pavãozinho representa uma ameaça e é motivo de preocupação para o Exército no Rio de Janeiro, sendo uma das áreas controladas pelo tráfico que a inteligência militar têm mais informações, conhecendo todas as saídas e os principais líderes criminosos.

Desde 2004, quando dois fuzis foram roubados do forte, o Exército mantém um bom relacionamento com lideranças da comunidade do morro, onde também moram alguns oficiais.

O comando da segurança do presidente é atribuição do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), coordenada em Brasília pelo general Gonçalves Dias. Quando Lula viaja, é designado no local um Coordenador de Segurança de Área (CSA), um militar que faz a integração entre as polícias Civil, Militar, Federal, Corpo de Bombeiros e Forças Armadas.

No Rio de Janeiro, a responsabilidade está a cargo do Comando Militar do Leste (CML), que não informou quem será o CSA. Pelo menos 300 homens, entre militares e policiais, estão trabalhando no esquema de segurança do presidente do Rio.

Há uma semana, 150 policiais realizaram uma operação no morro à procura de Rodrigo Carvalho Cruz, o Tico, acusado de roubar um turista italiano que morreu atropelado em Copacabana. Segundo a Polícia Militar, a ação não tinha ligação com a visita do presidente. Na quarta-feira, um helicóptero do Exército que sobrevoava favelas da zona norte do Rio foi alvejado por um tiro de fuzil.

O PAC de segurança

O governo federal selecionou 11 regiões metropolitanas do país com alto índice de homicídios para receberem investimentos em educação, infra-estrutura e saneamento. A intenção é integrar ações de segurança com programas sociais do governo. Além disso, um fundo será criado para que, em dez anos, os Estados possam se adaptar para pagar um salário mínimo nacional aos policiais militares - entre R$ 1.200 e R$ 1.400.

No Rio de Janeiro, três regiões receberão mais recursos - Rocinha, Alemão e Manguinhos. Para que as obras possam ser construídas, o governador Sérgio Cabral prometeu operações policiais de repressão ao crime e ao tráfico, buscando a "pacificação" dos morros.

n.r.: E depois... tudo continuará como antes no Castelo de Abrantes...


fonte:UOL
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