quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Monotonia

Lembram daquela música do "Biquini Cavadão" que diz:"Sabe esses dias em que horas dizem nada? E você nem troca o pijama. Preferia estar na cama...". Certos dias são mesmo assim. A gente acha que tudo é igual, desejar bom dia é monótono, a tarde não tem nada de boa ou de má e se te desejam que seja boa, você questiona e faz um esforço descomunal para retribuir o cumprimento, você quase rosna entre os dentes: "booa tarrrde".

Nestes dias dá para sentir que o sorriso que tranborda na tua cara é daqueles amarelos, quase falsos, só que você não está sendo falsa, a culpa é da monotonia, está tudo insuportavelmente mo-nó-to-no. Uma monotonia braba, até a bomba que explodiu ou vai explodir lá do outro lado do mundo é parecida com a bomba que já explodiu num outro dia qualquer. É outra, mas bomba é bomba e não te abala. O presidente do país continua o mesmo, respondendo o conhecido "eu nada sei", e negando um terceiro mandato. Só que a esta altura da vida você já sabe que a diferença entre negar e querer é quase nenhuma. Tentou ser contra a presença do rei, mas ninguém ligou. Monótono, não é?

E o tempo? Este parece que resolveu conspirar contra você e em cima da tua cabeça, literalmente falando. Parece que os céus resolveram tirar onda com a tua cara e não chove, nem faz sol, não aquece, nem arrefece. Querem saber? É pior! Acontece as duas coisas ao mesmo tempo. Dá para imaginar alguém andando placidamente numa rua a caminho de casa e de repente sentir pingos de chuva? Seria normal se depois de mais uns passos, o sol não abrisse com toda a sua força e você avistasse a metros de distância um amigo com aquela chuva que te atingiu, caindo no local onde ele está e por onde você passou, e você ali, debaixo daquele sol. Muito sinistro.

A monotonia é bege. Você não sabe se vai ou se fica e acaba não fazendo nada. Os teus melhores amigos se tornam o sofá e o controle da televisão. E nunca há um programa de televisão bom quando você precisa dela. Vocês percebem a complexidade da situação? Não foi à toa que até virou música. De sentir nada e tudo ao mesmo tempo, dos momentos não serem claros, nem escuros. São os dois sem serem nenhum. É complicado.

E o que a gente faz, então? Não tem pílula nem xarope no mercado que dê jeito no assunto. Não é depressão, então não adianta o velho e bom prozac com prazo de validade vencido de outros tempos de uma vida sofrida. Nada adianta.

Hoje vai ter jogo do Brasil na TV, de novo, como no domingo passado, os mesmos vão jogar, 11 de cada lado e o técnico é o Dunga. Não é monótono?



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