sábado, 27 de outubro de 2007

Órfã virtual, digital e tudo o mais

Quando o ato de comunicar é pouco


Depois dizem por aí, que só "quem não se comunica, se trumbica". Não é verdade! Me trumbiquei apesar de me comunicar.

Tudo começou na manhã catastrófica da passada quarta-feira, no dia em que uma chuva intermitente com um índice pluviométrico de 45 dias caiu num único dia na cidade do Rio de Janeiro, deixando seus moradores e não só, ilhados nos quatro cantos da cidade pelo deslizamento de parte da encosta do túnel Rebouças - aqui perto - além de deixar várias ruas alagadas. Já não era pouco.

Eram 5h30 da manhã e vi, para minha tristeza, o sinal do modem da minha banda larga, Vírtua, totalmente off. Desisti de ir à academia, pois o noticiário na rádio e na TV davam notícias catastróficas devido a chuva. Coloquei a trela no meu cãozinho que precisava fazer suas necessidades urgentes e levei-o, debaixo de chuva e com capa e gabardine (eu e ele, respectivamente) até debaixo de uma marquise para que ele tivesse o mínimo de privacidade nesse momento tão íntimo. Sasha (é o nome dele) é um cocker spaniel inglês, educadíssimo, que detesta fazer as suas necessidades básicas em casa. Hábitos adquiridos num Portugal mais ou menos tranqüilo, sem a violência carioca nas ruas. Então lá fomos nós, munidos de folhas de jornal e sacos plásticos porque ninguém merece escorregar em... bem, vocês sabem bem no quê.

Voltei, telefonei à NET (Vírtua) e começou o meu calvário que só terminou hoje às 12 horas e 38 minutos. Fui informada, na quarta-feira (prestem bem a atenção) de que o Rio de Janeiro, inteirinho, estava sem sinal de internet e me deram a previsão de voltar às 22hs. Não voltou. Tinha eu já o número da reclamação anotado e volto a telefonar. E lá estava eu, outra vez, a informar: código Net, nome do assinante, confirmar endereço e "em que posso ajudá-la?". Bem, estava triste, chateada por ter sido "enganada" quanto à previsão, quando sou informada que o caso era grave e a previsão havia sido estendida até a meia-noite. Novo número de reclamação anotado.

Dia seguinte, quinta-feira, para meu desespero, tudo continuava na mesma: o modem piscando sem parar e nenhum sinal de internet. Toca a telefonar de novo. Atendem. Código Net, nome do assinante, etc, "em que posso ajudá-la?". Dessa vez, já abatida, respondi: "não sei se você poderá me ajudar, mas..." e descrevi meu rosário de queixas do dia anterior. Nova previsão: 18hs. "Quer anotar o número do protocolo?". "Não!" respondi irritada, "já tenho números aqui que me bastam".

Não satisfeita, uns minutinhos antes das 18 horas, resolvi telefonar novamente. Caramba, previsão é o tempo máximo, é tipo data de validade, é para consertar até aquele horário, daí o nome PRE-VI-SÃO. Atenderam (eles atendem sempre, é verdade). As mesmas perguntas, desfio meu rosário de aborrecimento e o atendente, solícito, pede para eu desligar o modem da tomada que ele vai me mandar um sinal (bem haja!). Foi aí que me lembrei de um fato passado, eu era pequenininha... foi de darem uma xupeta num carro que papai tinha quando a bateria foi para o espaço. Na época, papai teve mais sorte, com meu modem não funcionou. A solução era enviar um técnico aqui em casa. Período da manhã ou da noite de sexta-feira, perguntou o atendente. Noite. Ok, das 18h às 22h.

É interessante como a gente não raciocina diante de um atendente do outro lado da linha quando estamos em desespero. Sexta-feira à noite, a chuva já tinha diminuído, é dia de balada. Viriam à minha casa, mesmo? Ah! Outro número de reclamação anotado. Otimista, ou esperançosa, ou desesperada, resolvi arriscar. Mas não adianta, o desconfiômetro fala mais alto. Cabreira, telefonei as 19 horas para confirmar. "Vai, sim!, O técnico chegará aí às 22hs. Algo em mim não acreditava naquelas palavras... Dei número de telefone aqui de casa mais o celular porque avisariam caso o técnico não viesse.

Já nessa altura me lembrei das palavras de um técnico de computador que tinha vindo aqui consertar meu PC e havia comentado que meu modem era "dos antigos". Comecei a acreditar que estava sendo totalmente enrolada e já desconfiava(coisa que não posso confirmar) que a pane no Rio de Janeiro havia sido um tremendo engôdo. Não deu outra, não vieram, nem telefonaram. E lá fui eu, não só desabafar novamente para outro atendente como também para ser enganada mais uma vez. Desta, o carro havia pifado, o técnico não viria, e então porquê, cargas d'água, não havia sido informada pelos telefones que havia deixado com o antendente anterior? - "erro nosso, senhora", disse o novo atendente - e tinha de marcar outra visita. Com muito favor, depois de pedir, consegui o primeiro horário de sábado: de 8h00 às 10h00.

Sábado. Acordei à força, as 7h30 e quando deu 8h10 telefonei de novo... Atenderam. Número código Net, nome disso e daquilo. Ele vem, mesmo? Perguntei. Não vai, respondeu-me a mocinha do outro lado da linha. Foi aí que o desespero tomou conta de mim. Disse cobras e lagartos à simpática atendente que numa paciência de Jó, tentava explicar-me a razão de todo o meu sofrimento. Muito simples. Haviam desmarcado (eles, da Net/Vírtua) todas as visitas à minha casa, porque havia uma visita agendada por eles, sem o meu conhecimento para dia 29, segunda-feira à tarde, para a troca do modem. Pooooooombas!!!!!!!! E como é que até hoje, eu ligo para aí e não me informam que era só isso? Dizia eu à amabilíssima atendente que não tinha culpa de nada e finalmente clareava o horizonte da minha vida virtual. Contei à ela, tintim por tintin da minha desventura, desabafei, disse o quanto me senti enganada pelos atendentes anteriores e a única solução era ela tentar me deixar com menos prejuízo. Ela iria, então, me incluir num encaixe de visita para este sábado. Caso não acontecesse, que eu tentasse novamente, mais tarde para uma outra tentativa num encaixe no domingo, caso contrário era só na segunda-feira e no período da tarde, estava marcadíssimo no terminal que ela tinha à sua frente.

Nada a fazer, bem mais calma já que finalmente haviam me dito a verdade depois de ter sido enrolada por tanta incompetência, agradeci e pedi desculpas por tanto desabafo. Ela me perdoou, ainda bem. E fui, então, curtir uma normal manhã de sábado, quando toca o meu celular com alguém da minha casa avisando que a Net havia telefonado e estariam na minha casa para trocar o modem a partir das 12hs. Rejubilei de felicidade. E tenho a certeza, que da última vez que telefonei, falei com meu anjo da guarda...

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