quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A cassação do gerúndio

Gerúndio ganha apoio de lingüistas portugueses


A decisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, de limitar o uso do gerúndio, por ser uma forma verbal associada à ineficiência, é considerada por lingüistas portugueses como unicamente política, já que é uma construção verbal existente no português.

Por decreto, publicado no diário oficial do distrito nesta segunda-feira, o governador "demite" o gerúndio de todos os órgãos do governo. Arruda alegou que perdeu a paciência com alguns assessores que estão sempre "fazendo, providenciando, estudando, preparando, encaminhando", mas nunca concluem um trabalho ou estabelecem um prazo para a sua finalização.



José Mário Costa, jornalista e responsável pelo site "Ciberdúvidas da Língua Portuguesa", disse à Agência Lusa que a medida adotada só pode ser vista como "simbólica" e com "piada".

A professora e lingüista Regina Rocha, do "Ciberdúvidas", também considera que o decreto só é válido num contexto político. "O gerúndio é uma forma verbal que sugere duração e prolongamento da ação e é uma 'construção que vem do português antigo'", acrescentou.

Os dois especialistas recordam que em Portugal o gerúndio caiu em desuso, utilizando-se, em seu lugar, o infinitivo: em vez de "estou fazendo", se usa, no país europeu, a construção "estou a fazer".

Regina Rocha esclareceu que a própria fonética dos verbos conjugados no gerúndio transmite a idéia de prolongamento, dado que têm mais sílabas.

Sobre a idéia do governador brasileiro, José Mário Costa defendeu a existência de orientações do ponto de vista ortográfico a serem seguidas, principalmente pelas entidades públicas, jornais e televisões.

O jornalista deu como exemplo o erro comum de abreviar os números ordinais. Costa disse que se escreve muitas vezes primeiro com um numérico (1) e um (o) em expoente, quando deveria ser um numérico (1) seguido de um ponto (.) e só depois o (o) em expoente. As abreviaturas são sempre seguidas de um ponto, afirmou.

n.r.: pois é, parece que não há nada mais importante a se pensar na política brasileira...


fonte:Agência Lusa

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