quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Liberdade



I
Pedra a pedra, tijolo a tijolo, palavra a palavra
Derrubo o meu muro de Berlim.
O meu muro de silêncios feito,
A raiva surda argamassa que mantinha seladas
Portas e janelas, esperanças e ilusões.
E visto de novo a esperança
Despindo as roupas velhas, sujas e enegrecidas
Que no passado vesti.
Reencontrando-me retomo o rumo
E o fio da vida.
Os amanhãs serão só meus,
E o futuro
Branco e livre
Como eu quiser!

II
Só o limite da página limita a minha liberdade,
Limita as palavras que escrevo,
Limita aquilo que quero,
Limita aquilo que sou.
Mais ninguém!
Se dura sou assim me fizeram,
A vida puta e canalha assim me tornou.
Quando caída, derrotada,
Sozinha me levantei.
Se amparo pedi recebi escárnio,
E a mão, sempre alguém a pisou.
Da vida não espero favores ou dádivas,
Que presentes envenenados
Ela sempre me ofertou.
Já de aço me revesti,
Já de ódio me vesti,
Para o resto da caminhada.
Espero as tempestades que se avizinham
Firme o corpo,
Os pés cravados no chão.
E ao vento solto o meu grito de desafio e de revolta:
De meu tenho este corpo, este querer,
Esta ânsia, esta vontade,
De rasgar trevas e quebrar amarras,
De me rasgar e abrir,
E saber-me e ser
Liberdade.


Encandescente
foto: Geoffroy Demarquet

0 comentários:

Ocorreu um erro neste gadget
Blog Widget by LinkWithin
 
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.