sábado, 15 de setembro de 2007


Liberdade


Só o limite da página limita a minha liberdade,
Limita as palavras que escrevo,
Limita aquilo que quero,
Limita aquilo que sou.
Mais ninguém!
Se dura sou assim me fizeram,
A vida puta e canalha assim me tornou.
Quando caída, derrotada,
Sozinha me levantei.
Se amparo pedi recebi escárnio,
E a mão, sempre alguém a pisou.
Da vida não espero favores ou dádivas,
Que presentes envenenados
Ela sempre me ofertou.
Já de aço me revesti,
Já de ódio me vesti,
Para o resto da caminhada.
Espero as tempestades que se avizinham
Firme o corpo,
Os pés cravados no chão.
E ao vento solto o meu grito de desafio e de revolta:
De meu tenho este corpo, este querer,
Esta ânsia, esta vontade,
De rasgar trevas e quebrar amarras,
De me rasgar e abrir,
E saber-me e ser
Liberdade.


Encandescente
foto: Geoffroy Demarquet

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