quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Perdeu, Brasil! *Perdeu!

A absolvição do senador Renan Calheiros


O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), escapou da cassação após votação no plenário por 40 votos contra 35 que o consideraram culpado. Ele era acusado de ter as contas pessoais pagas por um lobista.

Renan ainda responde a dois processos por quebra de decoro parlamentar. Ele é acusado de ter favorecido uma cervejaria e de ter adquirido veículos de comunicação por meio de laranjas.

Um quarto pedido de processo foi protocolado e acusa o senador de participar de esquema de arrecadação de recursos em ministérios comandados por seu partido. Esse caso ainda não foi avaliado pela mesa do Senado.

A vitória de Renan
por Cristiana Lôbo

Renan Calheiros surpreendeu a oposição com sua vitória ao garantir 40 votos pelo arquivamento do processo por quebra de decoro parlamentar contra 35 de senadores que queriam a cassação de seu mandato. Agora, o papel de Renan será o de reunir os cacos deixados pelo caminho e reabrir o diálogo com a oposição para retomar as condições políticas para seguir na presidência do Senado.

Nas mais de cinco horas de sessão, nesta quarta-feira, a atuação de alguns senadores chamou atenção.

Francisco Dornelles, por exemplo, abandonou o silêncio e subiu à tribuna para defender Renan Calheiros. Na condição de ex-secretário da Receita Federal, Dornelles disse que Renan estava sendo acusado de crime fiscal (a questão das notas de venda de gado) e que não caberia ao Senado julgar isso antes de uma notificação da Receita Federal. Foi um discurso com sustentação técnica que fez Renan ganhar pontos. Até porque, era um defensor que só agora se manifestava - dando a idéia de que o presidente do Senado não contava apenas com o trio Wellington Salgado, Almeida Lima e Gilvam Borges.

Em outra ponta atuou, durante a sessão, o senador Aloízio Mercadante. Depois de uma semana em silêncio, prometendo só revelar o voto mais tarde, Mercadante conversou muito com correligionários durante a sessão. O número de seis abstenções levou muitos oposicionistas a terem a certeza de que isso era resultado da articulação de última hora de Mercadante. Governistas também atribuem a petistas as abstenções.

As senadoras Ideli Salvatti e Roseana Sarney reclamaram muito da atuação do senador petista Eduardo Suplicy. Ele não teria aceitado se abster - e insistiu no voto pela cassação do mandato de Renan. As queixas de Ideli e de Roseana foram ouvidas por colegas.

Ponto para Renan Calheiros teria sido, também, a intervenção da ex-senadora Heloísa Helena. Ela foi até a sessão do Senado para sustentar a representação feita por seu partido, o Psol. O discurso de Heloísa Helena foi mais suave do que o habitual, mas passou a idéia de "disputa paroquial". Mas foi ela quem tirou Renan do sério. Renan disse que ela tinha dívida com a Receita Federal, e Heloísa Helena repetiu várias vezes "mentira, mentira". Renan, então, recomendou:

- Lave a boca com água oxigenada.

E Heloísa Helena retrucou:

- Lave você com água sanitária.

Este, segundo parlamentares que acompanharam a sessão, teria sido o momento mais tenso da reunião.

Na avaliação de alguns senadores, Renan acabou se beneficiando com a briga entre deputados e seguranças na porta do Plenário do Senado. Teria passado a idéia de que estaria sendo vítima de uma luta política.

A senadora Ideli Salvatti recorreu a um discurso feito por Mário Covas na histórica sessão da Câmara, em 1968, quando o então líder do PMDB defendia o colega Márcio Moreira Alves, que seria cassado pelo regime militar. Não ajudou Renan. Senadores logo avaliaram que as duas situações eram bem diferentes e não poderiam, portanto, ser alvo de comparações. A começar pelo fato de que Márcio Moreira Alves foi cassado pela ditadura militar.

Arthur Virgílio não foi o orador brilhante de quase todos os dias, avaliaram senadores. Melhor teria sido o discurso de Jarbas Vasconcelos.



*"Perdeu!" é o chavão habitualmente utilizado por bandidos quando assaltam suas vítimas no Rio de Janeiro.


fonte:G1

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