segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

"Os Lusíadas" desconhecido do público

Um cofre climatizado guarda uma das principais raridades do acervo da Biblioteca Pública de Ponta Delgada (Açores): um dos seis exemplares da primeira edição de "Os Lusíadas", de 1572, e que permanece desconhecido do grande público.

Diante de sua raridade e valor histórico, a obra maior do poeta luso Luís Vaz de Camões, que narra os feitos dos descobrimentos portugueses, está "cercada de cuidados", explicou, à Agência Lusa, Francisco Silveira, o responsável pelas coleções particulares da única biblioteca nos Açores a dispor de um exemplar tão raro da obra.

Sem nenhum pedido de consulta em 2006, esta edição de "Os Lusíadas" tem sido, ao longo dos anos, apenas solicitada por pesquisadores e estudiosos, a maioria dos quais professores universitários.

Apesar da fragilidade, o livro, de 18 centímetros de altura, editado em Lisboa, "está em bom estado de conservação", assegurou Silveira, ao adiantar que o exemplar poderá ser consultado pelo público, mas com certas regras a cumprir.

Composto por dez cantos, 1.102 estrofes e 8.816 versos, a obra pode ser consultada depois de preenchida uma ficha, como acontece com os outros livros da biblioteca, embora o requerente tenha de justificar, por escrito, o propósito da consulta.

"O objetivo de uma biblioteca é facultar o acesso a todos os documentos e livros que a instituição possui, claro que com regras mais rígidas para edições mais importantes", afirmou Silveira.

Apesar de disponível, é, ainda, "rara" a requisição desta edição de "Os Lusíadas" nos Açores, por desconhecimento de sua existência em Ponta Delgada.

Um desconhecimento que não incomoda o responsável pelas coleções particulares da Biblioteca Pública, até porque o local não implementou ainda a utilização de luvas para manusear os livros mais valiosos ou de maior interesse histórico de seu acervo.

Silveira explica que a transpiração pode deteriorar o papel, e que por isso há de se ter "mil e um cuidados" quando alguém requisita esta edição rara da obra portuguesa, publicada três anos após o retorno de seu autor do Oriente.

A primeira edição de "Os Lusíadas" faz parte dos cerca de 18 mil títulos da biblioteca pessoal de José do Canto, que reúne livros do século 15 ao 19, adquiridos em maio de 1942 pela instituição.

"Trata-se de uma das mais valiosas coleções privadas, seja pela raridade das espécies bibliográficas ou pela coleção camoniana, considerada por especialistas a segunda maior em nível nacional", afirmou Francisco Silveira.

Para facilitar e generalizar o acesso das obras mais consultadas e de maior valor histórico, a Biblioteca Pública de Ponta Delgada está digitalizando seus títulos, em um serviço que deverá ser disponibilizado, parcialmente, ainda este ano.

Como o mínimo de recursos disponíveis, como as luvas para o manuseamento de livros raros ainda não foi implementado pela Biblioteca Pública, quero acreditar que seja apenas por falta de recursos. Não é objetivo de uma Biblioteca apenas guardar livros, isso é competência de um Arquivo. Enquanto não acontece, estudantes, pesquisadores e historiadores ficarão aguardando ansiosos pela possibilidade de ter acesso a todos esses livros de grande valor histórico.


fonte:Agência Lusa

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