segunda-feira, 7 de novembro de 2005

"Não sou pessimista, o mundo que é péssimo"

"As Intermitências da Morte"

O português, José Saramago, esteve no Brasil para a avant premiere de seu novo romance, "As Intermitências da Morte". Trata-se o 20º romance do escritor lançado no Brasil, através da Companhia das Letras, e durante a passagem Saramago apresentou, brevemente, as idéias que permeiam as páginas ainda inéditas fora do país, sem lançar mão das surpresas que aguardam o leitor.

"As Intermitências da Morte" parte da idéia absurda de que, um dia, a morte parou de agir em dado país. Mas isso não quer dizer que o tempo pare de agir nas pessoas. Todas envelhecem ad infinitum e, o que de início parecia uma dádiva, se torna um estorvo. Tanto as instituições quanto os homens parecem desprovidos de sentido.

A morte é transformada em personagem principal e vem ao mundo carnal para, além de cortejar os homens, flertar com um deles _um violoncelista introspectivo que, por algum motivo, não recebe o aviso que está prestes a se encontrar com aquela quer personifica o supremo medo no coração da humanidade.

Porém, não se trata de um livro sobre a morte, e sim sobre a vida, tema tratado de forma improvável e com humor e ironia. Saramago reiterou essa idéia tanto na palestra que realizou na quinta-feira quanto na entrevista coletiva dada na sexta, ambas falas ocorridas no Sesc Pinheiros.

José Saramago discorreu, quando perguntado, sobre temas variados como a política brasileira, o referendo do comércio de armas, a Amazônia, a língua portuguesa, otimismo e pessimismo e, claro, sobre vida e morte, sempre com um rabugentismo gracioso. (Augusto Olivani)

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