"As Intermitências da Morte" parte da idéia absurda de que, um dia, a morte parou de agir em dado país. Mas isso não quer dizer que o tempo pare de agir nas pessoas. Todas envelhecem ad infinitum e, o que de início parecia uma dádiva, se torna um estorvo. Tanto as instituições quanto os homens parecem desprovidos de sentido.
A morte é transformada em personagem principal e vem ao mundo carnal para, além de cortejar os homens, flertar com um deles _um violoncelista introspectivo que, por algum motivo, não recebe o aviso que está prestes a se encontrar com aquela quer personifica o supremo medo no coração da humanidade.
Porém, não se trata de um livro sobre a morte, e sim sobre a vida, tema tratado de forma improvável e com humor e ironia. Saramago reiterou essa idéia tanto na palestra que realizou na quinta-feira quanto na entrevista coletiva dada na sexta, ambas falas ocorridas no Sesc Pinheiros.
José Saramago discorreu, quando perguntado, sobre temas variados como a política brasileira, o referendo do comércio de armas, a Amazônia, a língua portuguesa, otimismo e pessimismo e, claro, sobre vida e morte, sempre com um rabugentismo gracioso. (Augusto Olivani)





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